domingo, 12 de agosto de 2007

Sgt. Peppers... 40 anos in 2007!!!!!!!!!!..... FOREVER!!!!!!




“Refleti logicamente sobre a essência da música, e creio que o gôzo mais esquisito é o que esta arte nos proporciona.”
Arthur Schopenhauer in A Vontade de amar.


Embora, de maneira geral, eu seja avesso a marcos comemorativos, não consegui ficar indiferente a lembrança na última sexta feira dos quarenta anos de lançamento do Sgt. Pepper's Lonery Hearts club Band, certamente o mais impactante de todos os discos dos Beatles.
Felizmente ou infelizmente eu ainda não havia nascido em 01 de junho de 1967. Foi apenas em meados dos anos 80 que descobri o já lendário vinil que desde o primeiro momento encantou meus ouvidos decorando a partir dai com cores vivas e psicodélicas meus anos de adolescente.
É realmente impossível precisar todo conteúdo ou significado deste impacto sonoro e ontológico que a singularidade da música de quatro estranhosrapazes de leverpool causaram em mim e, mesmo depois de tantos anos, exibe a mesma força, o mesmo apelo e vitalidade em qualquer atemporalidade de sonho.
Mas estas linhas não se destinam a gratuita apologia do Sgt. Pepper's, é antes de tudo uma ligeira tentativa de tentar compartilhar ou lembrar o quanto a musicalidade impregna nossa consciência de mundo contemporânea, o quanto somos em nossas memórias e mais intensas expressões ou emoções embalados pela magia de qualquer musica ou musicalidade de eleição. No meu caso pelo humor e irreverência insubstituível dos Beatles...
Sgt. Pepper's Lonery Hearts club Band!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

CRONICA RELÂMPAGO III



Toda manhã tento adivinhar o dia que me espera. Saber de antemão o sabor da noite em inútil esperança de inocente vidência... Todos os dias tento ter a vida nas mãos, saber meu destino e meu rosto. Entretanto, tudo que me é possível é constatar o quanto não sou sujeito do meu próprio destino, imerso nas dez mil coisas que constituem a pouca e cotidiana realidade.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

LITERATURA INGLESA III


Lewis Carrol ( 1832-1898), ou Charles Lutwidge Dodgson, ocupa um lugar singular no panorâma da literatura inglesa. Impossível classifica-lo como o autor de uma grande obra ou romance, a exemplo de Shakespeare ou Henry James. Na verdade poucos tem conhecimento de sua obra poética ou escritos sobre lógica e matematica. Foi justamente atraves das imaginativas aventuras de Alice no Pais das Maravilhas e Alice no Espelho que seu nome imprimiu-se no cânone literário do Ocidente. Carrol foi definitivamente um mestre do nosence vitoriano como se costuma afirmar, um desafiador da plasticidade logica e linguistica até o limite do caos dos signos e simbolos que configuram nossa comportada e cotidiana noção de realidade e pragmática da linguagem....
Por traz da obra não há uma pessoa humana menos fascinante e enigmática. Diácono da Igreja Anglicana e Professor de Matemática em Oxford, solteiro e recluso, tinha duas paixões curiosas: A logica e a fotografia. No último caso, reveladora, pelos documentos deixados, do seu fascinio por menininhas entre oito e doze anos de idade, objeto de suas fotografias e de cartas realmente interessantes pela peculiaridade e singularidade do uso da linguagem... Para os que conhecem o fantastico e fascinante universo de transfiguração da linguagem de Alice no pais das maravilhas, vale a pena conferir a coletânia de Cartas do autor a suas amiguinhas:
CARROL, Lews. Cartas às suas amiguinhas.RJ: Sette Letras,1997.
Cabe observar que Carrol tambem trocou missivas com Gustave Flaubert...

SOBRE VERDADE, LINGUAGEM E CIÊNCIA



BROCKMAN, John. Einstein, Gertrud Stein, Wittigenstein e Frankteim: Reinventando o Universo. SP: Companhia das letras, 1988.

Publicado originalmente em 1987 nos Estados Unidos, este curioso livro não apresenta nenhuma tese realmente inovadora. Na verdade apenas parte da idéia, hoje relativamente corrente nos meios acadêmicos, de que a realidade é uma construção ou invenção humana, para estabelecer um panorama das tendências contemporâneas do saber cientifico.


Merece especial menção a quinta parte da obra, muito apropriadamente intitulada “O Universo Heterodoxo”, dedicada as teorias e pontos de vista de “pesquisadores heréticos”, ou seja, não legitimados ou reconhecidos pelo status quo da comunidade científica. É especialmente nestas páginas onde mais nos damos conta do quanto no final das contas a ciência e a construção do conhecimento científico não é isenta de juízos de valor e, ousaria dizer, de uma boa dose inconsciente de imaginação que poderíamos apelidar paradoxalmente de “loucura da realidade”, esta estranha vocação humana, demasiadamente humana, originária da “vontade de saber” que inventa todo possível conhecimento do mundo.

A gênese desta saborosa brochura encontra-se em uma interessante experiência realizada pelo autor nas décadas de 70 e 80 do último século: O Clube da Realidade.
Brockman o apresenta aos seus leitores da seguinte maneira:

“ O Clube da Realidade é uma associação informal que organizei durante os anos 70 para explorar a ideia de que a maneira mais interessante de chegar ao limite do conhecimento do mundo é procurar as mentes mais complexas e sofisticadas, colocá-las na mesma sala e fazê-las perguntar umas as outras as questões que fazem a si mesmas. No decorrer desses anos, em Nova York e São Francisco, em quartos de hotel, restaurantes chineses, salas de aula de universidades e em casas particulares, convidei numerosas pessoas para falar de seus trabalhos e ideias para um grupo de pares em reuniões abertas ao público, deixando claro que elas seriam ser desafiadas. A condição de membro é limitada a pessoas que com seu trabalho e suas idéias reinventaram o universo.
(...)
Nas reuniões do Clube da Realidade, frequentemente terminavamos em discussões duras e descorteses. Este nível de discussão, a intensidade com que transmitiamos nossas ideias uns aos outros, surpreende-me como não sendo inconsistente com a maneira com que inventamos o universo. Todos temos na mente uma imagem de um universo de vastidão inimaginável com uma existência histórica de muitas eras. Mas ele é assim mesmo? Afinal de contas existe mesmo o universo? É uma entidade a priori que existe no espaço, no tempo, com um passado e um futuro, algo para ser descoberto, decsodificado, e seus mistérios desvendados? Ou os cientistas estão só examinando as próprias cabeças, criando suas próprias invenções por meio de palavras e ferramentas?
Meu ponto de vista, que transmiti talvez com demasiada frequerncia aos colegas do Clube, é que nós criamos o mundo e o universo é a criação de nossa linguagem, de nossas percepções.” (BROCKMAN, John. Einstein, Gertrud Stein, Wittigenstein e Frankteim: Reinventando o Universo. SP: Companhia das letras, 1988, p. 261 et seq.)

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

SOBRE O MITO DE MERLIM....




Em 1950 Jung erigiu em sua casa em Bollingen, Suiça, um monumento de pedra que expressa, de modo singular, o significado da construção desse espaço material e animico de existência, o sentido profundo deste lugar pessoal no mundo, em que para ele foi possível encontrar-se, criar a si mesmo como indivíduo, vivendo “ in modest harmony with nature”.
O significado da pedra confunde-se com a finalização da construção de uma torre e, em suas próprias palavras, é assim descrito:
“A pedra se acha fora da torre e é como que uma explicação desta. É uma manifestação de seu morador, mas continua incompreensível para os homens. Sabem o que pretendia gravar na parte de trás? O grito de merlim! Pois o significado dessa pedra me sugere as manifestações de Merlim, saindo da floresta, quando já desaparecera deste mundo. Os homens ainda ouvem ouvem o seu chamado, diz a lenda, mas não podem compreende-lo ou interpretá-lo.
Merlim representa a tentativa, por parte do inconsciente medieval, de estabelecer uma figura paralela a de Percival. Percival é o herói cristão, e Merlim, filho do diabo e de uma virgem pura, é seu irmão sombrio. No sec. XII, quando nasceu a lenda, não se dispunha das condições necessárias para compreender o que ela representava. Assim, acabou no exílio; daí, o grito de Merlim, que ressoa ainda na floresta, depois de sua morte. Esse chamado, que ninguem pôde compreender, mostra que ele continua a viver, como uma forma não redimida. No fundo sua história não foi terminada e ele vaga ainda, até hoje, nas redondezas. Pode-se dizer que o segredo de Merlim continuou na alquimia, principalmente na figura de Mercúrio. Depois foi recolhido por minha psicologia do inconsciente, mas até hoje continua incompreendido! Para a maioria dos homens, com efeito, a vida com o inconsciente é completamente incompreensível. Saber o quanto tudo isso é estranho ao homem é uma das minhas experiências mais indeléveis.” (JUNG, C.G. Memórias, Sonhos e Reflexões. RJ: Editora Nova Flonteira 20º ed, s/d, p.200)

SOBRE A ALQUMIA OCIDENTAL II... EM TORNO DA PEDRA FILOSOFAL



A idéia central da simbologia alquímica ocidental é, indiscutivelmente, a experiência da totalidade que, de variadas formas, fez-se representar mediante imagens como a de uma substância arcana, do andrógino, da anima mundi, ou ainda, de um deus “terrenus” que conduz a superação de todas as misérias e mazelas humanas. O caráter terapêutico da alquimia reside justamente nesta desmedida ânsia de, por intermédio de algum artifício obscuro, lançar uma ponte entre o macro e o micro cosmos, ou modernamente falando, entre a consciência e o inconsciente, superando o estado de dissociação característico da cultura ocidental. Enquanto o Cristianismo busca uma unio mentalis in superatione corporis ( uma união mental na superação do corpo), a alquimia busca o mesmo objetivo mediante o conhecimento da natureza e da matéria.
O paralelo christus-lapis ( cristo- pedra filosofal) e a utópica busca de um “algo volátil” , misterioso e incorruptível, que seria a própria imagem do demiurgo na matéria, origina-se da idéia de uma substância celeste possível de ser quimicamente representada e concretamente obtida. Este remédio universal e redentor que, verbalmente , só pode ser tomado como fantástico ou insólito, é na verdade muito mais do que uma descabida e arbitrária fantasia. Este objeto que expressa o mysterium coniunctionis ( mistério da união), ou realização do Unus Mundus, é uma imagem definida pelo mesmo arquétipo que originou a imagem do herói redentor que une o céu e a terra.
Em um antigo tratado medieval, cuja autoria a tradição atribui a SÃO TOMÁS DE AQUINO, encontramos a seguinte definição desta pedra que representa a meta da grande obra :
“ Como ensina Avicenna, em sua epístola ao rei Assa, nós procuramos obter uma substância verdadeira por meio de diversas outras, intimamente fixadas; e que tal substância, sendo levada ao fogo, mantém-no e alimenta-o; e que além disso seja penetrativa e que tinja o mercúrio e os outros corpos; tintura realíssima com os pesos requeridos e ultrapassando, por excelência, todos os tesouros do mundo.” (AQUINO, São Tomas de. O tesouro secretíssimo de Frei Reginaldo, in A pedra Filosofal e a arte da alquimia. Florianópolis: Livraria e Editora Obra Jurídica LTDA; p.63.)

No presente fragmento temos apenas uma descrição do objetivo da opus, da substância universal e una que representa um estado de perfeição da própria matéria. Já em um outro tratado atribuído a Basílio Valentim, monge beneditino que teria vivido na primeira metade do século XV, esta milagrosa substância, materialmente produzida mas de natureza “espiritual”, é assim descrita:

“...Contudo a nossa pedra, como soube através de filósofos antigos, é feita e composta de duas coisas e de uma das quais está oculta uma terceira, e esta é a verdade publicamente anunciada, sem nenhuma ambigüidade nem fraude, porque o marido e a mulher eram tomados pelos antigos filósofos como um só corpo, não por causa dos acidentes externos que tiveram, mas por causa do seu amor recíproco e da virtude uniforme produtora do seu semelhante nascido e contido, num e noutro, desde a sua primeira origem. Tanto assim é que possuem uma virtude conservadora e propagadora da espécie, do mesmo modo que a matéria de que é produzida a nossa pedra se pode multiplicar e expandir pela virtude seminal que tem. ( Basílio, VALENTIM. Acerca da pedra filosofal. In, ZALBIDEA, Vitor e outros (org.) Alquimia e Ocultismo, Lisboa: Edições 70, s / d ; p.120.)

A pedra é, portanto, obtida através da dialética dos opostos ocultos nas profundezas da matéria. O simbolismo aqui utilizado é muito semelhante ao da câmara nupcial dos evangelhos gnósticos anteriormente comentados. Cabe observar, além disso, o caráter fecundante ou multiplicador atribuído a pedra enquanto estado perfeito da matéria redimida. Bom lembrar que a recorrente recorrência a uma tradição filosófica remota, observada nos dois fragmentos acima nada tem de gratuita. Indo mais longe que as evasivas referências feitas por estes dois autores, cabe lembrar que, enquanto imagem do inconsciente, a pedra filosofal realmente possui antecedentes antigos como, por exemplo, a pedra que Crono devorou e vomitou apenas quando Zeus o obrigou a dar de volta os filhos que havia devorado. A mesma, por ordem do pai dos deuses, tornou-se objeto de culto em Pytho. Este culto a pedra remonta a pré-história, mas este não é o espaço para devidamente considera-lo.

CRÔNICA RELÂMPAGO II

Tudo que sei é que existo entre o acaso de duas datas; em um quase nada de tempo onde me surpreendo atônico a cada segundo de estar vivo... O que mais dizer? Tamanha é a fenomenologia da existência em sua ilimitada pluralidade de formas e coisas que muitas vezes duvido da possibilidade de qualquer entendimento ou ciência do mundo.

Talvez a realidade não passe de um sonho absurdo do mínimo finito que somos no tempo e no espaço e nada na vida tenha realmente importância... Que importa?

Há dias em que não faz sentido qualquer pensamento, em que não sustentamos o fardo das opiniões, convicções e juizos. Há dias de apenas viver, deixar-se inerte no preguiçoso vento de uma tarde morna com os olhos perdidos em qualquer beleza fugaz de uma paisagem verde.

ENTRE SÉCULOS.... I



“Tem se repetido que, na medida em que nos aproximamos do fim do século XX e, com ele, do fim do milênio, as coordenadas de espaço e de tempo estruturadas das nossas vidas estão sendo crescentimente submetidas a novos tipos de pressão. Espaço e tempo são categorias fundamentais da experiência e da percepção humana, mas longe de serem imutáveis, elas estão sempre sujeitas a mudanças históricas. Uma das lamentações permanentes da modernidade se refere à perda de um passado melhor, da memória de viver em um lugar seguramentwe circunscrito, com um senso de fronteiras estáveis e numa cultura construida localmente com o seu fluxo regular de tempo e um núcleo de relações permanentes. Talvez, tais dias tenham sio mais sonho do que realidade, uma fantasmagolia de perda gerada mais pela própria modernidade do que pela sua pré história. Mas, o sonho tem o poder de permanecer, e o que eu chamei de cultura da memória, pode bem ser, pelo menos em parte, a sua encarnação contemporânea. A questão, no entanto, não é a perda de alguma idade de ouro de estabilidade e permanência. Trata-se mais de tentativa, na medida em que encaramos o próprio processo real de compreensão do espaço-tempo, de garantir alguma continuidade dentro do tempo, para propiciar alguma extenção do espaço vivido dentro do qual possamos respirar e nos mover.”


HUYSSEN, Andress. Seduzidos pela Memória: Arquitetura, Monumentos, Midia. RJ: Aeroplano, 2000, p. 30.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

APÓS A ORGIA....



“Se fosse caracterizar o atual estado de coisas, eu diria que é o da pós orgia. A orgia é o momento explosivo da modernidade, o da liberação em todos os domínios. Liberação política, liberação sexual, mliberação das forças produtivas, liberação das forças destrutivas, liberação da mulher, da criança, das pulsações inconscientes, liberação da arte. Assunção de todos os modelos de representação e de todos os modelos de anti representação. Total orgia do real, de racional, de sexual, de crítica e anticritica, de crescimento e de crise de crescimento. Percorremos todos os caminhos da produção e da superprodução virtual dos objetos, de signos, de mensagens, de ideologias, de prazeres. Hoje, tudo está liberado, o jogo já está feito e encontramo-nos coletivamente diante da pergunta crucial: O QUE FAZER DEPOIS DA ORGIA?”
BAUDRILLARD, Jean. A Transparência do mal: Ensaio sobre fenômenos extremos. SP: Papirus Editora, 4º ed, 1990, p.9

PAUL McCARTNEY...



Poema escrito ao som de Memory Almost Full, último disco de Paul, lançado em 05 de julho do corrente, e em celebração do seu 65º aniversário no último dia 18 de junho...

PAUL McCARTNEY

De Leverpool para o mundo
espalha-se em melodias
o pequeno garoto
de alma canhota.

Qual segredo dança a vida
no ritmo dos seus acordes?

Imagino-o sobre a montanha de si mesmo
contemplando a absoluta existência ao por do sol,
livre como um pássaro
na aventura do azul e do lírico
do movimento de todas as coisas
que transformam o passado em futuro,
que dão carne viva a fantasia e ao espirito.

Faz-se absoluta a alma e a música...
Guardo no bolso o sonho de qualquer canção canhota
em minha imaginação dos dias...
Let' em me....