sábado, 28 de fevereiro de 2026

ESCREVO PORQUE NÃO ADIANTA GRITAR

Escrevo para desaparecer,
desmobilizar, desassujeitar,
não  colaborar, não  pertencer.

Escrevo para discordar,
protestar , desabafar
e expressar toda minha angústia,
impotência e vontade enorme de gritar.

Escrevo, também, para sonhar,
fugir, escapar, evadir e brincar.
Pois, simplesmente, não  quero participar,
ser parte de um mundo caduco,
sofrer um tipo vida
que nos adoece aos poucos,
que dá  vontade de chorar.

Escrevo porque sei meu silêncio,
porque não adianta gritar,
porque preciso ir além de mim mesmo
vendo tudo anoitecer.


SOBRE A BANAL BREVIDADE DO MUNDO

O mundo nunca será  maior
do que o meu quintal.
Será  o que cabe na experiência 
e memória 
de uma tarde de sol.

O mundo, afinal, não  é  grande.
Quase não  existe.
É incerto, banal
e dura apenas o instante
de um copo de refrigerante. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

VIDA SIMPLES

Plante sua comida
na terra em que mora
com seus animais e amigos
longe da grande cidade.

Saiba seu corpo a margem de toda verdade,
Exista fora da prisão  das disciplinas e racionalidades,
viva, assim,intensa e radicalmente a natureza, 
a mais concreta  materialidade das coisas, 
redescobrindo todos os dias
o mais simples e profundo não  sentido
da sua mais banal realidade. 


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

NATUREZA E MUDANÇA

Cada corpo contém um futuro,
realiza um devir, uma mudança,
que define a natureza e a matéria 
como formas de vida em intercâmbio e movimento, composição e mudança.

A vida é um reinventar constante da existencia na expansão  do universo.
Deus algum poderia criar tal experiência,
tão  intensa, irracional e inumana imanência.

A vida é  sempre o que será...
nunca o que está,
na reinvenção permanente  do sempre igual.











terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O QUE É LIBERDADE?

Liberdade é  inventar-se
acima do bem e do mal,
do céu e do inferno,
através do corpo.

É  não  acreditar em deuses,
não  pertencer a igrejas,
não se conformar a rebanhos
e não  temer um juízo final.

Liberdade é  não  ter medo da morte,
nem estar preso a verdades eternas.
É dançar incertezas, rir de nossas alegrias
e também de nossas tristezas e certezas.

É  odiar o poder, o controle,a norma
 e toda forma de Estado e dominação.
Não  ser homem, coisa, planta ou  animal.

Liberdade é , acima de tudo, 
não  precisar ter razão
duvidando de tudo que nos é  imposto
como verdade universal.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

NÃO HÁ LIBERDADE SEM IGUALDADE

Não  há  liberdade sem igualdade.
Ninguém  é livre onde um manda
e  outro obedece,
onde colonizar a existência do outro
sustenta hierarquias e privilégios.

Não  há  liberdade onde supremacistas,
canalhas e fascistas,
promovem necropolicas,
segregação e exclusão, 
instituindo o terrorismo de Estado
como estratégia de dominação. 

Não há liberdade onde todos votam
mas o dinheiro define os eleitos
e a politica é só uma forma de opressão.




sábado, 7 de fevereiro de 2026

A VIDA É COMPOSIÇÃO

A vida está  nos rios,
no vento,
nas matas, nas florestas,
nas encruzilhadas,
nos vírus e bactérias. 

A vida não é humana,
moderna, urbana, divina,
civilizada ou governada
pela razão. 

Ela é selvagem,
telurica e absurda.

A vida é mutação e mistura.
Essencialmente,  composição. 



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O QUE É UM POEMA?

O poema não  é  o verbo.
É um  acontecimento dentro do verso,
 algo que se esconde dentro de algum silêncio. 

É  o que inspira o corpo que se move,
que parte em busca de outra realidade .

É  o que luta, o que resiste,
o que se revolta,
o que protesta.

O poema é o grito,
 o desvio e o reverso. 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

CONTRA CULTURA NIILISTA

Por toda parte
vejo fundamentalistas,
amantes do poder da verdade,
idolatras cheios de vaidade
que tem solução pra tudo. 

Ouço  respostas prontas,
pérolas de fé e de sabedoria,
que nada dizem de importante
a vida livre e a poesia.

Ouço e me calo.
Sigo mudo fugindo
dos salvadores do mundo,
dos rebanhos, dos moralistas
e dos amantes da pátria, 
em busca de outra realidade
onde não prosperem tantos  fanáticos maniqueistas.



sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A BANALIDADE DO HORROR


Hoje,  é natural lidar com um vizinho sionista,
com o discurso narcisista do político fascista e ultra nacionalista,
com a fala de ódio do fanático cristão,
desfarçarda de mera opinião,
ou com o preconceito explícito do supremacista branco e pseudo fanfarrão.

Afinal, ninguém mais se espanta  com genocídios, ecocídio e feminicídios. 
Estamos prontos, inclusive,
para próxima guerra,
pois, sabemos,
mais do que qualquer outra geração,
que vivemos em um mundo 
onde todo horror é tão possível
quanto inevitável
e que ninguém tem razão.