quinta-feira, 9 de abril de 2026

O INDIVIDUALISTA

Não  me importa os outros.
Que cada um siga seu caminho,
invente seu próprio destino e seu abismo.

Da minha parte, tudo que me interessa
é  me inventar, me tornar diferente,
existir contra  o tempo, a morte e o espaço. 

Que cada um se invente conforme passa,
tal como pensa, como dói e se ultrapassa.





segunda-feira, 6 de abril de 2026

CONTRA A MERA SOBREVIVÊNCIA

Meu único objetivo
é  escapar a essa sobrevivência,
quase doença, que nos definha.

É  preciso viver,
ir além da rotina.
Rebelar-se contra Deus e o Estado,
escutar o Corpo e o Diabo, 
encontrar uma saída
ou qualquer alternativa subversiva
a tudo que nos define. 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

ALÉM DE TODA E QUALQUER METAFÍSICA


Não  acreditamos mais em metafísicas. 
Temos plena consciência 
da materialidade  da realidade,
dos limites da linguagem
e da fragilidade da consciência.

Transcendemos o jardim da infância 
da Razão  e do Humanismo.
Recusamos tanto o teocentrismo,
quanto o antropocentrismo.
Recusamos toda a miséria dos ismos e rebanhos.
Nos reinventamos através de uma cosmovisão trágica e inumana de mundo.
Sabemos que todos os deuses estão  mortos
na escuridão  de um céu  profundo.






terça-feira, 31 de março de 2026

A LIBERDADE DE SER OUTRO


Quero a liberdade de poder não  acreditar,
 desobedecer,
 viver como bem entender,
 cuspir na norma,
nos bons costumes,
nos padres, juízes, deuses  e reis.

Quero a liberdade de desafiar o poder,
de ir além dos limites do mundo,
de inventar, transgredir, transcender.

Quero ser outro, a margem da lei,
e no avesso do certo e do errado,
através  da intuição  de um novo mundo.



sábado, 28 de março de 2026

MEU CORPO

Meu corpo é  natureza.
Pura e simples natureza,
um provisório arranjo de matéria
e energia.

Meu corpo é  vontade, fome,
deslocamento e finitude. 
Não é razão ou pensamento.
Não  tem alma, espírito 
ou centelha divina.

Meu corpo é  o sem nome
das sensações 
que me enraizam no mundo
como coisa viva e finita.



quinta-feira, 26 de março de 2026

TODAS AS COISAS SÉRIAS

Todas as coisas sérias,
pertinentes ao poder,
ao Estado, a religião 
e a economia,
oscilam entre o ridículo,
 o tráfico e o obsceno. 
São  indignas de poesia.

Todas as coisas sérias,
que demandam autoridade
e dependem de muito dinheiro,
 são deploráveis e abjetas. 



quarta-feira, 25 de março de 2026

A INSANIDADE


A insanidade é a autoridade que nos conforma a norma.
É a servidão, a obediência e docilidade.

A insanidade é  a desigualdade,
as castas, as classes e as raças.

É  o horror que nos governa,
a República que nos reputa,
que nos impõe o poder de um Deus,
 Estado e Alma,
calando o corpo e o ser.

A insanidade é o rebanho e a lei. 
É  a sobrevivência que nos faz morrer,
que nos obriga a obedecer.

É o que nos controla,
o que castra o querer.

Que os loucos nos salvem de tanta insanidade,
nos ensinem a resistir, a  desobedecer,
 transgredir e, realmente, viver.






terça-feira, 24 de março de 2026

IMAGINANDO A ANARQUIA


Amo a autonomia,
o autogoverno e a liberdade.
Pois sei que a vida
só é plena onde há anarquia,
onde existe ordem sem autoridade.

Por isso, aposto em um novo tipo de sociedade,
onde cada um sabe o limite do outro,
a necessidade de todos,
através  da própria singularidade. 

Imagino outros mundos,
outros modos de vida,
sem deuses, senhores e estados,
Sem violência, controle e castigos.


domingo, 22 de março de 2026

NÃO TENHO RELIGIÃO

Não  tenho religião. 
Não  cultivo metafísicas.
Não  tenho senhores celestes,
nem acredito que o universo
é a ditadura de um deus único,
vaidoso e genocida .

Não  tenho religião. 
Não me convence a hipocrisia do amor ao próximo,
o vazio da tradição,
o moralismo fanático do rebanho,
ou o autoritarismo do pastorado,
branco e masculino.

Não  tenho religião. 
Poder algum define o meu destino.

quinta-feira, 12 de março de 2026

SER EM LIBERDADE

Nenhuma deus ou senhor dirá quem eu sou.
Estado algum governará minha vida.
Não terei ídolos, moral ou princípios.

Nem serei parte de nenhum rebanho.
Não  seguirei catecismos, cartilhas
ou tábuas da lei.

Não estarei, portanto, preso a identidades,
confissões de fé, verdade, moral  e vaidade.
Meu único princípio será a inconstância,
a finitude e a mudança,
que faz de mim sujeito e objeto de todas as formas e maneiras  de ser em  liberdade.

Mas, para aqueles que gostam de rótulos e conclusões, digam apenas que sou um convicto niilista,
um adversário dos idealistas e moralistas,
advogados da história  universal e da razão  instrumental.