sábado, 2 de maio de 2026

O INCLASSIFICÁVEL

Os números da economia,
as estruturas de poder,
As disciplinas e razões  do iluminismo,
não me determinam.

Não  sou um dado, 
não  sustento estatísticas
ou conclusões  augoritimas. 

No mais profundo de mim
arde um caos urgente e indecente.
Sou um fluxo intempestivo de indeterminações.

Como objeto de estudo,
permaneço, sempre,
irredutível a definições. 

Nunca fui colonial e moderno.





 


terça-feira, 28 de abril de 2026

A VIDA É RISCO


A vida é  sempre selvagem,
inconstante e imune a prisão  de conceitos, rótulos  ou definições  de dicionário. 

A vida não  é  normativa
ou moralista.
Não  é  questão  de método,
planejamento e sucesso.
Ela é risco, vontade, briga,
 fome, sede, prazer e  vômito. 

Quem nela não se  arrisca,
também  não  petisca.


sábado, 25 de abril de 2026

ESCOLA, CONFORMISMO E PODER

A escola não ensina a viver.
 Apenas conforma o indivíduo  à sociedade,
poda  a imaginação e a criatividade. 

Nela o rico aprende a mandar,
já  o pobre é treinado para obedecer.
Pois, a escola, é, antes de tudo, 
um lugar de hierarquia e poder,
não  é  um espaço para construção  
do mais genuíno e libertário saber.

Tudo que a escola produz são diplomas.
E todos precisam de diplomas,
 títulos e competências para sobreviver....









terça-feira, 21 de abril de 2026

PARA TRANSFORMAR O MUNDO


A exploração não  é
 determinada pela economia,
pressupõem uma consenso
 social, cultural e político. 

Por isso, é necessário,
antes de tudo, desaprender o mundo
para reinventar a vida e transformar a realidade. 

É preciso desfazer hierarquias,
povoar as margens
e destituir toda autoridade.





TRANSGREÇÃO E ESCRITA

Escrever não  é  técnica,
trabalho, estilo,
 forma e norma.
É  fuga, transgressão 
e revolta
que extrapola a escrita.

Escrever é  grito,
desaparecimento,
evasão  e silêncio,
que não  cabe no salão 
ou na academia.

Escrever é um modo de morrer,
amaldiçoar-se, evadir-se.
Literatura é  espaço,
é um lugar que se habita
no avesso do mundo.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

DESERÇÃO E DESENCANTAMENTO

Sem cartilhas, bandeiras,
palavras de ordem,
coletivos e ideologias,
sigo fugindo à modernidade,
a Razão, ao Estado e a Verdade.

Sigo desencantado e irritado
 com tanta rotina
e tão  pouca realidade.

Não prego adesão 
ao individualismo tosco neoliberal,
mas não  me seduz o coletivismo barato pseudo comunal.

Sou a favor da deserção,
de toda forma de evasão niilista.







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sexta-feira, 10 de abril de 2026

EUDAIMONIA


Eudaimonia é  uma pratica de Liberdade,
que nasce da ação  direta de um e de todos.
Baseada na horizontalidade
 ela nega a autoridade, 
 repudia a tradição e a ilusão da Verdade.

 A eudaimonia só é possível 
onde prospera a autonomia,
a igualdade e a pluralidade.

Ela só é possível onde deuses e reis estão  mortos,
onde não  há  fronteiras e Estados,
onde não  nos limita a triste noção de razão e humanidade.

Eudaimonia é o bom espírito da vida justa
que nos define em plena liberdade.

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quinta-feira, 9 de abril de 2026

INDIVIDUALISMO RADICAL

Não  me importam os outros.
Que cada um siga seu próprio caminho.
Somos todos muitos.

Da minha parte, só me interessa
me fazer diferente, Único,
intensa e brevemente, 
existindo contra  o tempo,
 a morte e os outros.

Que cada um se invente
 conforme passa e se ultrapassa
através  dos dias,  dos vazios e das noites.






segunda-feira, 6 de abril de 2026

CONTRA A MERA SOBREVIVÊNCIA

Meu único objetivo
é  escapar a essa sobrevivência,
quase doença, que nos definha.

É  preciso viver,
ir além da rotina.
Rebelar-se contra Deus e o Estado,
escutar o Corpo e o Diabo, 
encontrar uma saída
ou qualquer alternativa subversiva
a tudo que nos define. 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

ALÉM DE TODA E QUALQUER METAFÍSICA


Não  acreditamos mais em metafísicas. 
Temos plena consciência 
da materialidade  da realidade,
dos limites da linguagem
e da fragilidade da consciência.

Transcendemos o jardim da infância 
da Razão  e do Humanismo.
Recusamos tanto o teocentrismo,
quanto o antropocentrismo.
Recusamos toda a miséria dos ismos e rebanhos.
Nos reinventamos através de uma cosmovisão trágica e inumana de mundo.
Sabemos que todos os deuses estão  mortos
na escuridão  de um céu  profundo.