sábado, 26 de setembro de 2020

O QUE É A VIDA?

A Vida é  encontro entre corpo e ambiente.
Não  depende da consciência,
Da intencionalidade.
A vida não  é  humana.
Iguala a ameba, o homem é o carrapato.

Os arranjos da matéria em movimento
Quê definem o organismo vivo 
É  um acidente dentro da natureza,
Algo que ignora o universo
Na composição  de afetos.

A vida é indiferente 
A linguagem e ao pensamento.

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

DO FIM DA HISTÓRIA A REALIZAÇÃO DO TERRESTRE

O mundo futuro não será  humano.
Há de ser terrestre,
Verde e profundo,
De uma materialidade radical
Na irracionalidade intensa dequalquer outra vida.

O homem, este animal triste,
Há de de ser desconstruido por suas máquinas,
Reduzido a uma lembrança  triste,
A uma consciência antiga. 

O mundo, então,  será sem história, 
No eterno retorno do  assignificante.

O homem há de perder para sempre
A possibilidade de ser para si
No saber do mundo
Através  do colapso da linguagem.

A liberdade da Terra
Será  a morte do homem.



quarta-feira, 23 de setembro de 2020

OS OLHOS E AS COISAS

As coisas falam aos olhos.
Compartilham segredos 
Sobre a existência,
O tempo e imanência,
Além de toda possibilidade 
Da linguagem e do pensamento.

Tudo é  dito como imagem e presença.
Tudo são as coisas
Inventando o olhar
Como lugar do outro, 
Do multiplo e do incerto
Das sensações mais concretas.

As coisas habitam os olhos.
Mas não  são o que diz a visão. 
Elas ensinam o informe, 
A indeterminação dos espaços,
Dos corpos,
 Na intuição  de uma quarta dimensão.

As coisas são umas nas outras.
Estão  sempre em fluxo de composições,  de composições.
Elas ensinam aos olhos o primado da incerteza do ser é do estar.

Os olhos são  um apêndice das coisas.
Qualquer pintor sabe disso
Contra a objetividade da fotografia.







sábado, 19 de setembro de 2020

O INUMANO DA VIDA

A vida não  pensa.
Ela acontece na multiplicidade 
E encontro das coisas
Em uma trama insana
De conflitos e composições.

A vida não  tem razão. 
Ela apenas existe
Nas metamorfoses do sensível,
Na afirmação  do terrestre,
Que transcende o humano.

Tudo  coexiste,
Metavive, 
Transborda,
E se transforma
Em um tempo sem história.

A vida não  é  humana.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

NOTAS DE FUGA

DEVIR Mulher
DEVIR criança 
DEVIR pássaro....

Desmistificar,
Desterritoriarizar,
Terrificar, 
Até aterrar
E tocar o inumano,
O esquizo,
Transfigurado
A palavra em rabiscos  oníricos.

Não  ser,
Perecer em um golpe de ar
Entre pensamento e memória,
Fugir a razão  e as normas.
Escrever o corpo inerte
Em sei movimento infinito.

Nunca buscar conclusões, 
Representações. 
Apenas produzir acontecimentos,
Saber afetos,
Antes que seja tarde demais
Para ser ontem. 


GAIA INSURGENTE

A Terra já não  é  mais palavra,
Conceito, signo,
Ou qualquer representação abstrata
De uma natureza escrava
A razão e a técnica 
Do progresso vil do humano.

A Terra é a vida insurgente
Contra a História,
Geo acontecimento violento,
Intenso e insubmisso,
Um novo enigma da revolta.

A Terra é  corpo,
Um absoluto e inumano devir mundo.

domingo, 13 de setembro de 2020

DIZER ESQUIZO

Quero assignificar o dito
Até que a palavra
Fuja do pensamento
E dance no abismo  do não  sentido.

Quero gritar a música de um silêncio,
Revelar todo caos escondido
No fundo raso  da ordem das coisas
E  na agonia dos sentimentos.

Quero escutar o corpo
Em suas múltiplas falas de ser
Sem sentido.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

DESENCANTAMENTO DO MUNDO

Não há mais muita  realidade 
No fundo das palavras
Ou das vivências. 

Nossa consciência não penetra o mundo 
Modelando vazios e acordando potências que atravessam os corpos.

Não sabemos mais as intensidades de uma transbordadante existência,
Movente no imanente 
De um  permanente estado de infância e devir.

A realidade hoje carece de encantos,
De verdadeiros encontros,
Que a livre da prisão das palavras
E das máscaras dos egos,
Reinventando o aberrante
Que assignifica o real
Na indiscrição do eu e do mundo. 

Nós tornamos escravos da falsa liberdade 
De nós  mesmos.






domingo, 6 de setembro de 2020

FILOSOFIA DO SER VIVENTE

Respiro.
Tenho pulso,
Meu coração bate
E minha pele é  quente.

Meu corpo sabe o mundo.
Mas nada disso 
É  suficiente
Para me tornar gente.

Sou apenas vivente,
Extensão,  afeto e angústias,
Perdido em meu querer consciente.



sexta-feira, 4 de setembro de 2020

O DIZER DO NÃO DITO

 

 


 

Todo dizer é coletivo,

impessoal e dialógico.

Pois não há dizer

que não abrigue

os lugares - nuvens

onde habitam

o inumano dentro de nós.

Não existe dizer,

que no avesso da linguagem,

não diga o silêncio de uma sensação,

de um estado ilegível de espírito. 

 

 

 

META LINGUAGEM

 

 


 

Dentro de cada palavra mora um abismo,

um assignificante que corrompe o signo,

que faz lembrar o pensamento

antes da infância,

quando não existiam verdades

ou conceitos,

mas somente intensidades,

densidades e mutações

no informe da experiência.

Tudo era, então,

o corpo dentro das coisas,

através das coisas.

 

 

 

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

ESCREVER

O objeto produz o sujeito na onipotência do discurso onde ambos se definem como lugares na paisagem de uma narrativa.
Quem sempre fala é  o próprio texto que é  objeto de si mesmo.
Pois escrever é ser no movimento do dizer que se faz no vazio da escrita. 

A IMPOSSIBILIDADE DO AUTO CONHECIMENTO

Conhecer a si mesmo é  um ideal tolo. Afinal, o eu é  simulacro. Casca vazia sem qualquer profundidade. Ele não  passa de um componente discursivo,  de uma máscara. 
Quanto mais tenho consciência de mim, mas me desconheço. Menos acredito na concretude da minha própria existência. Sei que nenhum indivíduo existe em si mesmo.