Uma condição para realização de um dialogo
é o compartilhamento de determinados pressupostos comuns que tornem possível o
entendimento mútuo. É necessário que o existe certa cumplicidade conceitual ou
gramatical entre os interlocutores. Mas hoje em dia tal coisa não acontece muito frequentemente
na arena da vida concreta. São cada vez
mais diversas as possibilidades de codificação da realidade que chego a duvidar
as vezes se habitamos todos o mesmo mundo. Por
isso predominam os dissensos e
antagonismos. Diálogos autênticos são cada vez mais raros...
Este Blog é destinado ao exercicio ludico de construção da minima moralia da individualidade humana; é expressão da individuação como meta e finalidade ontológica que se faz no dialogo entre o complexo outro que é o mundo e a multiplicidade de eus que nos define no micro cosmos de cada individualidade. Em poucas palavras, ele é um esforço de consciência e alma em movimento...entre o virtual, o real, o simbolo e o sonho.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
quinta-feira, 28 de julho de 2016
ROMANTISMO E INQUIETUDE
Foram os poetas do velho romantismo europeu
que nos legaram a nobre perícia de fazer a arte florescer através do difuso
sentimento de que padecemos da elementar
dificuldade de viver em conformidade com o mundo.
Desde então, através do cultivo da nossa frágil e jovem
subjetividade , aprendemos a impossibilidade da estabilidade existencial na
modernidade.
Desde então, oscilamos entre o tédio, a
inquietude nervosa e a monotonia mecânica da vida cotidiana no desdizer dos
fatos.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
O QUE É A REALIDADE?
O conceito de realidade extrapola a
dualidade clássica entre o inteligível e o sensível , ou entre aparência e
essência, estabelecida pelo materialismo vulgar. Isso acontece na medida em que por realidade entendemos a totalidade de tudo aquilo que de algum modo
existe, seja como produto da mente humana ou como um dado objetivo e natural. Assim, o ficcional não é
uma “falsificação”, um equivoco a ser desconsiderado, mas compreende certa
modalidade do real que não deve ser negligenciado como tal.
Tudo que podemos “conhecer” são nossas
próprias representações da realidade e codificações culturais, logo a realidade é,
antes de tudo, mais uma convenção social
do que um dado fenomenológico. Tal enunciado, entretanto, só pode fazer sentido
quando desatrelamos o conceito de realidade do conceito de verdade contrariando
o senso comum. O que é o mesmo que dizer que realidade e imaginação não são
termos excludentes já que do ponto de vista mais elementar nossa mente concebe
a realidade fenomenológica através de imagens ainda não articuladas pelo pensamento dirigido
dos signos gramaticais.
terça-feira, 26 de julho de 2016
SHOPENHAUER E O FRAGMENTO COMO PREMISSA DO PENSAR FILOSOFICO
Até onde eu sei o aforismo foi introduzido
na filosofia por Arthur Shopenhauer em franca oposição aos enunciados dedutivos
dos sistemas filosóficos como o de seu eterno desafeto Georg Wilhelm Friedrich Hegel. Assim, podemos
atribuir-lhe um modo novo de exercitar o pensamento filosófico que encontrou e Friedrich
Wilhelm Nietzsche um dos mais fecundos herdeiros.
Não se trata apenas de uma questão de estilo,
mas de uma consideração do particular, do fragmento, como uma estratégia discursiva
que busca fugir a gaiola dourada dos conceitos e da narrativa monolítica de uma
racionalidade estreita.
O fragmento se faz através de um “dizer aberto” onde o todo não é a soma das partes e se realiza no pressuposto de seus inacabamentos e silêncios.
O fragmento se faz através de um “dizer aberto” onde o todo não é a soma das partes e se realiza no pressuposto de seus inacabamentos e silêncios.
As mais fecundas narrativas são como complexas
tapeçarias artesanal e pacientemente tecidas em imaginações de caleidoscópio. Afinal,
nossa própria condição de seres viventes é fragmentada, multifacetada e aberta
a possibilidades quase infinitas de interpretações e reelaborações.
Em resumo, as lacunas de uma narrativa são tão
necessárias quanto a sua intencionalidade.
segunda-feira, 25 de julho de 2016
SOBRE VERDADE E VERACIDADE
A veracidade de um argumento não
o faz verdadeiro. Tudo depende da qualidade de suas premissas. Uma boa
argumentação pode se sobrepor a verdade mediante a persuasão de seus
enunciados. Por isso, mesmo quando impotentes contra um bom argumento, não
somos convencidos a aderir a ele e replica-lo.
Entendo aqui verdade não como uma
correspondência entre as palavras e as coisas. O que só pode ser concebível em
um plano ideal. A verdade não passa de um sentimento quanto a qualidade de
determinado enunciado cuja validade nos parece evidente. Por isso não se deve
concebe-la em termos absolutos. Há sempre enunciados paralelos e concorrentes
sobre determinado assunto igualmente aptos a condição de verdade. Mas quando
estamos certos de determinada coisa, não consideramos nossa parcialidade como
premissa da convicção. Sempre julgamos nossa subjetividade um ato de
objetividade.
sexta-feira, 22 de julho de 2016
CONVITE A HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE
A História do tempo presente nos
desafia a reflexão sobre quem somos e sobre o que estamos vivendo. Toma para si
a responsabilidade do agora na problematização dos seus impasses e
possibilidades.
Cabe aqui considerar a seguinte
ponderação a fim de inspirar uma consideração do tema:
“Sobre os motivos que teriam levado ao
desabrochar deste campo historiográfico, comentam Agnès Chauveau e Philippe
Tétart que seriam a história renovada do político, o impacto de geração e o
fenômeno concomitante de demanda social.4 Para estes dois autores, esta
modalidade historiográfica seria tributária dos anos 1950, quando a sociedade
demandava esclarecimentos a respeito dos traumas que vivera. Essa produção
histórica, simétrica à demanda social, teria como raízes ainda o “aumento e a
aceleração da comunicação, a renovação progressiva da imprensa e da edição, a
elevação do nível de estudo e a força dos engajamentos ideológicos, morais, dos
anos 50-60”.5 Agnès Chauveau e Philippe Tétart comentam que este campo se
ampara no pressuposto metodológico de que a história não é somente o estudo do
passado, mas também, “com um menor recuo e métodos particulares, o estudo do
presente.”6 Meu objetivo aqui é identificar algumas medidas metodológicas para
uma possibilidade – apenas uma dentre outras tantas – de um fazer histórico
deste campo.”
Eduardo Meinberg de Albuquerque
Maranhão Filho. Para uma História do Tempo Presente: o ensaio de nós mesmos. For a Present Time History: the
essay of ourselves. In Fronteiras: Revista Catarinense de História,
Florianópolis, n.17, 2009 p.137
quarta-feira, 20 de julho de 2016
PARMÊNIDES: A RAZÃO COMO PATHOS
Segundo Parmênides de Eleia, apenas o ser
(positivo) é digno do pensamento. Pois o não ser (negativo), na medida em que
não é, não pode ser pensado. Parmênides ignora o mundo sensível onde impera o
devir e a contingência e estabelece o ser como uno e imutável.
Para Parmênides “só o ser é e o não-ser não é”. Através de uma cosmologia abstrata ele afirma
o primado do pensamento sobre a existência, estabelecendo a razão como caminho da
verdade em termos metafísicos.
Sua filosofia afirma a unidade eterna de um ser absoluto. O que nos
permite identifica-lo como o fundador da “metafísica”, precursor da afirmação da unilateraridade do
intelecto diante do corpo e da experiência sensível. Em outras palavras, sua filosofia estabelece a
razão como pathos do intelecto.
terça-feira, 19 de julho de 2016
INDIVÍDUO E PERCEPÇÃO
Percebemos o mundo de modo
limitado. Não somos capaz de captar todos eventos e fenômenos ao mesmo tempo. A
equação entre sensação, percepção e pensamento é complexa.
Para inicio de conversa é preciso
que se diga que percepção é diferente de realidade e que não podemos reduzir o
real a nossa codificação da experiência de mundo. Justamente por isso, pode-se
dizer que a consciência humana tem uma
história, não é algo dado, e que através do contexto social e cultural na qual existimos estabelecemos formatações da realidade
condicionadas as ferramentas cognitivas disponíveis.
Desde Kant sabemos que a
percepção não é um fenômeno passivo ou um simples acontecer de experiências
sensoriais fisiologicamente estabelecidas, mas uma estruturação do real através
de significados e codificações simbólicas.
Por isso a percepção é
essencialmente um fenômeno empírico e individual . Cada um formata o mundo
compartilhado a partir de uma configuração específica.
segunda-feira, 18 de julho de 2016
NOTA SOBRE O EU , OS OUTROS E O MUNDO
O acumulo de vivências é o que
faz de cada personalidade um quebra cabeça, um arranjo irracional de afetos,
sentimentos e convicções, definem o modo próprio de cada um apreender o mundo
situando-se no lugar comum do acontecer dos outros.
Isso estabelece uma
presentificação da existência singular em um dado contexto social ou impessoal.
Existimos como um corpo que se auto representa e assim requalifica suas ações
no plano das representações de sua própria existência. Neste contexto,
consciência deve ser entendida como intencionalidade voltada para o aqui e agora de uma totalidade inscrita na
dualidade do eu e do mundo.
INDIVIDUALIDADE E SOCIEDADE DE MASSAS
A incapacidade de se
autodeterminar frente o outro e a realidade, de ser plenamente um eu no mundo, é o grande pathos da consciência
diferenciada do indivíduo contemporâneo.
Tendemos a um estado de inautenticidade coletiva, a experiência da multidão onde a singularidade é reduzida a um dado estatístico definido pela homogeneização crescente das sensibilidades e praticas comportamentais. A esfera da intimidade e da privacidade, premissa do acontecer da singularidade humana, torna-se cada vez mais uma questão pública, um acontecer socialmente estabelecido e descaracterizado como estratégia de construção de subjetividade.
Tendemos a um estado de inautenticidade coletiva, a experiência da multidão onde a singularidade é reduzida a um dado estatístico definido pela homogeneização crescente das sensibilidades e praticas comportamentais. A esfera da intimidade e da privacidade, premissa do acontecer da singularidade humana, torna-se cada vez mais uma questão pública, um acontecer socialmente estabelecido e descaracterizado como estratégia de construção de subjetividade.
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