Minha vida distante de onde existo
É quase lembrança do que já se foi.
Persigo motivos para sonhar o infinito.
Mas tudo que vejo alimenta meu grito.
Por isso tem dias que eu quase desisto.
Mas logo me lembro
que não tenho mais do que desistir...
Este Blog é destinado ao exercicio ludico de construção da minima moralia da individualidade humana; é expressão da individuação como meta e finalidade ontológica que se faz no dialogo entre o complexo outro que é o mundo e a multiplicidade de eus que nos define no micro cosmos de cada individualidade. Em poucas palavras, ele é um esforço de consciência e alma em movimento...entre o virtual, o real, o simbolo e o sonho.
Minha vida distante de onde existo
É quase lembrança do que já se foi.
Persigo motivos para sonhar o infinito.
Mas tudo que vejo alimenta meu grito.
Por isso tem dias que eu quase desisto.
Mas logo me lembro
que não tenho mais do que desistir...
Na margem oposta do seu discurso
minha palavra aguarda
qualquer resposta.
Mas sei que nada que será dito
fará sentido.
Pois será signo, símbolo,
assignificante,
que transcende toda compreensão.
Dizer, quase sempre,
transcende a ilusão dialógica,
o ato da comunicação.
O mundo é o plano
dentro do qual existo
como corpo inscrito
nas palavras, nos atos
e estatísticas.
O olhar do outro
inventa meu rosto.
Mas quase não me enxerga.
Pois o outro é mundo
como eu sou o outro.
De modo que, ao apontar para o século VII ou o século V antes da nossa era O indicador histórico de uma pretensa origem da filosofia, nós nos exportamos simplesmente ao ridículo de que sofre todo geneticismo. O geneticismo crê poder explicar o filho pelo pai, o ulterior pelo anterior; mas esquece, não sem futilidade, que se é verdade que o filho é resultado do seu pai- visto que não existe filho sem pai- a paternidade do pai decorre da existência do filho e que não existe pai se não houver filho Toda genealogia exige ser ser lida ao inverso ( é dessa maneira que acabamos nos dando conta de que a criatura é o autor de seu autor, que o homem fabricou Papai do Céu, tanto quanto o inverso).A origem da filosofia é hoje"
Jean François Lyotard in Por que Filosofia?
A consciência cria a verdade
como expressão da vontade,
de uma certeza de mundo
que não cabe na vida,
mas apenas na imaginação humana.
No comercio das palavras e dos gestos.
criamos verdades que nos inventam
escravos da ilusão das convicções e vontadesque tornam possível a vida.
“Tempo disso, tempo daquilo,
falta o tempo de nada!”
Carlos Drummond de Andrade
Com a segunda revolução industrial europeia do seculo XIX, sociedades como a da alemanha, Inglaterra e França, tornaram-se definitivamente urbanizadas e formatadas pelo tempo das fábricas ou do relógio mecânico. As relações sociais no Ocidente, desde então, passaram a ser reguladas pelos artifícios tecnológicos, tanto no âmbito publico quanto privado do viver coletivo.
O relógio mecânico, neste contexto, tornou-se um poderoso dispositivo de controle e normalização da vida, algo sem paralelos na história das sociedades humanas. O tempo antropologizado encarna o dia de 24 horas regrado pelas atividades produtivas e comerciais .O tempo do relógio é o tempo do trabalho, da alimentação e do descanso, como ethos formatador de novos saberes e relações de assujeitamento e poder biopolitico no controle da população e dos corpos nos recém estabelecidos territórios nacionais.
Mas o tempo do relógio e da domesticação através das horas é também o tempo do cansaço e do esgotamento universal. Afinal, contra o tempo do relógio, o corpo, como todo organismo vivo, possui um ciclo circadiano ( processo biológico de 24 horas que dita o rítmo de nossa existência biológica.). Toda forma de vida dependente da luz solar possui algum tipo de ciclo circadiano que lhe permite aproveitar o máximo a luz e a escuridão. É isso que popularmente é chamado de relógio biológico, no caso humano, localizado no hipotálamo. Mas todas as células do nosso corpo e órgãos corporais possuem seu próprio relógio biológico que são sincronizados pelo relógio principal localizado no cérebro. A falta de sintonia entre eles imposta racionalidade disciplinar do tempo do relógio nos adoece.
Em outras palavras, contra todas as ilusões de nosso cotidiano pós industrial, não é o tempo social do relógio que regula nossas vidas, mas o tempo natural definido pelo movimento da terra em torno de si e do sol.