sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

FRAGMENTO SOBRE PIRATARIA E AMBIGUIDADE

Embora somente entre os sec.XVI e XVII tenha adquirido uma significação mais complexa ao converter-se em um dos mais populares mitos literários da modernidade, uma das mais antigas imagens de “marginalidade”, de subversão das codificações sociais que informam qualquer cultura ou sociedade, é, definitivamente, a da pirataria marítima, cujos primeiros registros remontam a antiguidade.

O que me parece pertinente observar sobre o tema é que, já na antiguidade, ou mais especificamente por volta do sec. III, o combate a pirataria proporcionou, por exemplo, uma progressiva extensão das conquistas romanas através de uma política de pacificação dos mares que pressupôs não só a criação de alfândegas para garantir “a liberdade de navegar” , mas também a normatização do comercio marítimo mediterrâneo e asiático sob hegemonia de Roma.

Há neste exemplo uma paradoxal relação entre marginalidade e poder que poderíamos identificar em inúmeros outros casos.

Em outras palavras, a marginalidade inspira um lugar de poder que lhe é complementar e oposto, que se nutre dela para criar ou manter uma determinada representação de ordem e codificação de autoridade...
Toda imagem de ordem esta fadada ao peso do seu especifico oposto...





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