segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

O CORPO NA NUDEZ DOS SIGNIFICADOS

O corpo não diz o eu. Ele é seu oposto.  Se o eu é um viver para si, o corpo é um viver para falta, para tudo que lhe transcende como conceito, para tudo que ele não é mas é através dele. Um sem número de bactérias e vermes definem um corpo. Ele é um arranjo múltiplo e provisório do mundo. 

O corpo transcende a linguagem. 

O corpo é mudo....

CORPO, MUNDO E SUBJETIVIDADE


É através do corpo que habitamos o mundo, que inventamos a nos mesmos mediante diversas estratégias de internalização do exterior. A subjetividade se produz neste processo que pressupõe sempre a pluralidade de um eu e de um outro. O próprio corpo afirma sua identidade móvel, múltipla, na medida em que se nutre de mundo, que é ele mesmo uma diversidade de coisas em uma unidade de arranjos provisórios, de interações permanentes. O subjetivo é sempre dialógico e condicionado a impessoalidade da linguagem, da circulação de signos e símbolos, dos seus arranjos de significado que sempre remetem a uma exterioridade.

Essa composição entre o corpo que  sou no movimento de estar contido e conter em si mesmo o mundo como experiência de si mesmo é o grande paradoxo que inventa a subjetividade em sua prossessualidade.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

ESBOÇO DE UM TEXTO IMPOSSÍVEL


Pretendia apenas o vazio de uma incoerência textual que inventasse uma narrativa nômade estabelecendo uma moldura para o silêncio. Queria produzir através da linguagem um dizer que não pudesse ser reduzido a informação, a prisão de qualquer discurso disciplinar, normativo ou racional.

Trata-se aqui da busca do relato de um mundo nu, sensorial e imediato. Um mundo que de tão vasto é, ao mesmo tempo, particular, intimo. Um mundo que habita subjetivamente outros mundos em estado de indeterminação e mutação permanente.


Um mundo que é palavra, mas acontece nas entranhas da terra como experiência abstrata de tudo aquilo que experimento no plano orgânico e inorgânico da imaginação.

Este mundo que é o próprio corpo envolto pelo ambiente. Que estabelece um dentro e um fora coincidentes como um se fazer mudo e ilegível, mas que guarda as intensidades, plasticidade e movimentos de uma melodia. Esse mundo é a própria vida irredutível a si mesma, indiferente a tudo que é vivo. Mas isso é apenas linguagem.... A vida não esta no se fazer destas linhas.

AMBIENTAÇÕES


Gosto de dias de chuva,
De frio,
De paisagens antigas,
De vento, verde e de mar.

Gosto da casa desarrumada e vazia,
Do silêncio que atravessa os objetos
Quase gritando meu nome.

Gosto da cama desfeita,
De livros e discos.

Gosto do que parece sonho,
De ambientes que embriagam.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

CARTOGRAFIA AFETIVA



Sei meu corpo no mundo e o mundo em meu corpo.
Tudo é em um só momento dentro e fora.
Paisagem e passagem
Sempre movimento.

Atravessa o corpo
O múltiplo em dispersão.

Há muitos tempos,
Inúmeras errâncias,
Pulsando como meu coração.

Desertos dispersam no vento
No vertiginoso  fluxo
Que define tudo.

A EDUCAÇÃO COMO PROBLEMA


O otimismo iluminista (ou socrático) de que a educação pode nos conduzir ao melhor dos mundos ou, seja, a emancipação ou maioridade da própria humanidade, ainda frequenta nosso imaginário contemporâneo. Talvez isto se deva ao fascínio pela “verdade” que orienta desde os gregos a chamada civilização ocidental. A mitificação do saber e do conhecimento, da razão, seja como traço divino no homem, como na Idade Media, ou como instrumento de transcendência da natureza, como na época moderna, nos conforma a modos de vida profundamente influenciados por uma suposta autoridade ou superioridade do conhecimento sobre a vida. O viver, o bem viver, não é tido como um valor, como uma estratégia pessoal de auto desenvolvimento.  A introjeção de  saberes formais, canônicos e hierarquizados é o parâmetro para definição daqueles cuja fala é ou não é pertinente em termos sociais.  Desta forma, a educação se reduz a um mecanismo de seleção e adequação a norma, a "verdade", e ao conformismo social. Ela não nos proporciona qualquer potencial emancipatório, como propagado pelas narrativas dominantes. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

ENTRE O EU E O MUNDO

Internalizar o mundo e saber a existência através das coisas define a vida. A consciência é sempre um deslocamento, um modo de escapar a si mesmo  através de cada gesto, de cada abstrato ato de pensamento. Quem sou eu é uma pergunta que não faz sentido. Não passo de um vazio que se inventa na fronteira incerta entre o eu e o mundo.

A VIDA DO PENSAMENTO


Não cabem “invenções” no plano do pensamento. As formulações apenas se propagam, se replicam. Possuem um movimento próprio, uma intensidade, que lembra as ondas do mar. No plano do pensamento a intuição, o sentimento e percepção das questões de  uma época, definem a possibilidade de transcendência de uma época anterior, estabelecem seus próprios limites e desafios.


domingo, 13 de janeiro de 2019

A AVENTURA DO PENSAMENTO

Vivemos presos à uma persona, a um nome próprio. É nosso lugar e nossa prisão. Evito usar o conceito de identidade. Nunca nos adequamos inteiramente aquilo que "somos", ao modo como nos vemos e somos vistos, ao nosso padrão de fala e questões vivências. Há sempre um outro inconformado dentro de nós mesmos, uma tendência ao além do dizível, dá verdade como experiência gramatical. É essa ruptura interna com nós mesmos, as metamorfoses de ser, que torna a existência uma aventura, uma busca constante. O pensamento sempre remete a uma errática aventura, ao deslocamento da fronteira de ser.

sábado, 12 de janeiro de 2019

A PATOLOGIA DA VERDADE

Ao longo de séculos a busca pela verdade e a razão se cristalizou no ocidente como a arche (princípio) do conhecimento. Está meta física da norma racional nos impôs o pensar através de modelos, de valores, através da recusa do mundo como imanência e diversidade.  A razão se tornou sinônimo de controle gramatical da vida, uma aposta ingênua contra o caos. A unilateralidade da cultura ocidental é sua maior patologia. Somos socialmente incapazes de lidar com a vida como um acúmulo descontínuo de mudanças espontâneas.