Estar vivo me assombra.
Nenhum entendimento
é suficiente para explicar
a experiência da existência.
Viver é um grande susto,
um desatino.
Sou um corpo,
um perceber o mundo,
que não se esgota nisso.
Tudo que sou,
acontece sempre
fora de mim.
Este Blog é destinado ao exercicio ludico de construção da minima moralia da individualidade humana; é expressão da individuação como meta e finalidade ontológica que se faz no dialogo entre o complexo outro que é o mundo e a multiplicidade de eus que nos define no micro cosmos de cada individualidade. Em poucas palavras, ele é um esforço de consciência e alma em movimento...entre o virtual, o real, o simbolo e o sonho.
Estar vivo me assombra.
Nenhum entendimento
é suficiente para explicar
a experiência da existência.
Viver é um grande susto,
um desatino.
Sou um corpo,
um perceber o mundo,
que não se esgota nisso.
Tudo que sou,
acontece sempre
fora de mim.
O sentir é tão racional quanto o pensamento e se contrapõe a emoção. Sentir, enquanto uma das quatro funções da consciência, para lembrar Jung, é aquela que produz valor, eleição. O sentir é um modo de escolha ou a premissa de todo agenciamento.
Pensamento
e sentimento compostos fazem do conhecimento o mais potente dos
afetos, para reinventar Espinosa.
Mas nada disso responde a mais elementar das curiosidades: Porque pensamos?...
Saber o som
nas diferentes instensidades,
velocidades,
texturas e tonalidades,
que definem sua potência,
nada nos diz sobre a música.
Mas a materialidade,
a imagética das ondas sonoras,
dentro dos meus olhos e ouvidos,
percorrendo o tempo e o espaço,
através do instrumento e do corpo,
Isto sim diz a musica.
Os sons não sabem dá musica
que nos embriaga os sentidos.
Meu pensamento é sentimento de corpo.
Pensar é corpo.
Em nenhum momento existe em mim
qualquer coisa que não seja corpo,
Lugar e movimento de ser.
Sou corporeidade,
extensão,
inventando modos
de habitar
o mundo Através dos afetos
E da imaginação,
Da arte de ser sempre um outro.
"Minha existência começava a me espantar seriamente. Não seria eu uma simples aparência?"
F. Nietzsche
Seguindo os passos de Nietzsche, libertar o niilismo de suas formas passivas ou negativas, significa recusar o ressentimento contra o mundo, abdicar da recusa a realidade ordinária, da afirmação de qualquer plano ideal e irreal da existência que nos supere a vida como ela é, ou simplesmente, se apresenta como sendo, antes de tudo, uma questão de sobrevivência, de presença física e corpórea que se degrada progressivamente.
O niilismo ativo é uma filosofia da potência na medida em que é um dizer da terra e do corpo como realidade das coisas humanas e inumanas, como ato de criação, de formas de vida e estratégias de subjetivação e imanência.
Libertar o niilismo de suas formas passivas ou negativas, nos passos de Nietzsche, significa recusar o ressentimento contra o mundo, abdicar de sua recusa, da afirmação de qualquer plano ideal e irreal da existência que nos supere a vida como ela é, ou simplesmente, se apresenta como sendo, antes de tudo, uma questão de sobrevivência, de presença física e corpórea que se degrada progressivamente.
O niilismo ativo é uma filosofia da potência na medida em que é um dizer da terra e do corpo como realidade das coisas humanas e inumanas, como ato de criação, de formas de vida e estratégias de subjetivação e imanência.
Já não introjetamos como verdade os valores e certezas dominantes. As convenções vigentes de mundo comum inspiradas por valores ditos universais nos parecem pálidas invenções de um século ingenuamente crente nos poderes da deusa razão. Duvidamos da eficácia das codificações de mundo inspiradas por metas narrativas totalizantes. Afinal, contra atrocidades não desmentiram ao longo da história recente da civilização ocidental não pois em xeque suas nobres auto representações inspiradas pela fé sem sentido na positividade do “progresso”?
São tantas as “humanidades” que povoam o mundo, tantas possibilidades e estratégias de existência e sobrevivência, que é totalmente descabido falar da humanidade como um todo homogêneo. Seria, aliais, até mesmo, pertinente questionar quais características imutáveis da condição humana ao longo das épocas e lugares nos permite usar um conceito tão abrangente.
Para Cassirrer em sua obra tardia Ensaio sobre o Homem, o homem é, em sua melhor definição, um animal "symbolicum" que transcende seu condicionante zoologico. É através de tal característica que nos apresentamos ao longo dos séculos como um animal orientado para um perpétuo vir a ser. Poderíamos dizer, portanto, que a condição humana não é um estado, mas um inventar-se constante e, como tal, também um perder-se, uma incerteza.
A cultura é o eixo existencial da construção da subjetividade e diversidade de nossa espécie. Criar-se através da produção de signos e símbolos a singularidade do faktum cultural como tipicidade do fazer-se humano. Mas o homem como medida de todas as coisas, como denuncia Foucault em As Palavras e as Coisas, é uma verdade recente e ameaçada por um desaparecimento iminente.
Hoje, em uma sociedade cada vez mais definida pelos artifícios tecnológicos e pela cultura imaterial do virtual, a diimensão inumana do humano é uma sombra que cresce sobre nossa narcisista consciência de si como medida de todas as coisas.
A natureza, o não humano, o limite de nosso desenvolvimento civilizacional pós industrial, reinventam nossa cultura simbólica contra o antropormofismo e logocentrismo dos últimos séculos pondo em questão os valores pós iluministas baseados em um humanismo ingênuo e prepotente que nos coloca em uma posição de domínio sobre o mundo natural como expressão de nossa pretensa humanidade .
O lado de fora de nós
é o profundo dentro das coisas,
a embriaguez dos sentidos,
que encanta o mundo
através do corpo.
Há em tudo um infinito,
um sem tempo,
onde nada é.
Eis o segredo de todo acontecimento:
As coisas são na pele
de quem sente e vê.
Existir é estar do lado de fora
de si
em intenso estado de desabrigo
e desapego.
Tenho medo do dia seguinte,
da
sociedade e do presente
como prisão da existência,
como opressão que formata
todos os afetos,
todo ser na natureza
que nos falta.
Vivemos em uma sociedade
onde o tempo consome a vida
contra a possibilidade de um viver
que realize o tempo.