quarta-feira, 13 de julho de 2016

QUASE UM SONHO

Gosto de dias vastos,
De manhãs que parecem deslocadas do tempo
Amanhecendo para o estático
De qualquer eternidade.

É como se o agora fosse sempre
E vitoriosa minha esperança de vida e constância.
Nada de perdas, danos e barganhas com o futuro.
Apenas a vida radiante e serena

Dançando no horizonte do efêmero.

terça-feira, 12 de julho de 2016

NOTA SOBRE HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE

O tempo onde concretamente nos inserimos como indivíduos, não é um amalgama informe destinado ao domínio das circunstâncias e da opinião. Pode, ao contrario, fomentar reflexões e analises através do qual nos beneficiamos de nosso próprio testemunho para caracterizar e entender uma determinada época histórica. É uma premissa tola supor que a historiografia pressupõe distanciamento e que o vivido só pode se reduzir a fórmulas efêmeras de analise.


O testemunho ocular e a reflexão critica permitem, ao contrario, uma consideração mais apurada dos fatos que, longe de conduzir a construção de verdades, busca uma tomada de posição diante das circunstancias inspirada por uma apropriação não superficial dos fatos, seus desdobramentos e efeitos sobre as sensibilidades e sociabilidades individuais e  coletivas.  

IMPROVISO

Estou habituado a viver
De improvisos,
De piruetas e peripécias.
Não levo a sério o mundo,
As pessoas e as certezas cotidianas.

Tenho um universo inteiro
A ser inventado
Entre os abismos e imensidões
De mim mesmo.

Não me perguntem o que penso
Sobre qualquer tema,
Pois minha reflexão é livre
E incerta.

Amanhã não acordarei novamente
Para o hoje,
Mas sempre para o improvável
De um passado redescoberto.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

CONHECIMENTO E SUBJETIVIDADE

As pessoas, de modo geral, acreditam demasiadamente em suas configurações egoicas e nas verdades objetivas como premissa de todo conhecimento. Tal “positividade” da capacidade de conhecer, em certa medida, apenas seculariza a metafisica, perpetuando o conhecimento como um acreditar ingênuo na possibilidade de formatar o real a partir de determinadas fórmulas conceituais e matemáticas.

Na contramão desta necessidade  de segurança simbólica e domínio conceitual da realidade, pode-se dizer que as novas tecnologias digitais, cada vez mais presentes no mero cotidiano,  criam a expectativa de  uma reconfiguração de nossos padrões cognitivos e mentais que, privilegiando o irracional do fluxo de imagens de pensamento, sobrepõem sob os fatos camadas de entendimento subjetivo de modo que, cada vez mais,  o real se faça um artifício ou uma simples questão de ponto de vista sobre os fatos.


sexta-feira, 8 de julho de 2016

GRAMÁTICA DE MIM MESMO

Não tenho tempo para escutar todos  os discursos.
A totalidade de vozes que povoam o mundo me escapa.
Mas sei que o que realmente importa
É escutar minhas próprias palavras,
Esclarecer meus medos, confusões
E emoções.
As pessoas falam demais
E na maioria das vezes
Não dizem nada  que o valha.
Eu, ao contrário,
Sei apenas falar sobre mim mesmo

Até quando falo dos outros.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

POEMA EFÊMERO

Venho de um tempo antigo
Onde ainda era possível
Acreditar no futuro.
Venho de muito longe,
De muito tarde,
Para sofrer o vazio do agora
Quebrado no vento
E em toda esta vida

Que me mata.

SOU FEITO DE NOITES...

Sou feito de noites,
Estrelas e luas
Na febre da imaginação
Que me inventa madrugadas.
Mas sou escravo do diurno
Nas vertigens da liberdade.
Quase não existo

Entre o impossível e o fato.

terça-feira, 5 de julho de 2016

ALIMENTAR O PASSADO

Não me sinto a vontade com o futuro.
Prefiro o passado e suas diferentes versões
De si mesmo.
Gosto de me abrigar nele.
Já o futuro é tão abstrato
Que não pode ser mudado.
Grande parte dele
Jamais chegará a existir.
No final das contas existimos

Apenas para alimentar o passado.

O IMPERATIVO DA INDIVIDUALIDADE

Considerado em sua integridade e totalidade, um indivíduo, mesmo aceitando o fato de que sua condição é socialmente estabelecida, goza de autonomia frente ao existir coletivo. A reapropriação singular do socialmente vivido é o que define o lugar da individualidade, sua capacidade de construir uma teia de significados e impressões singulares. É no plano biográfico que a imaginação humana revela-se de modo mais fecundo como fundamento da consciência e de toda percepção do mundo. Apesar de sua perenidade e fragilidade o acontecer do indivíduo é o que há de mais elementar na condição humana. Não é o individuo que existe para espécie, mas a espécie que existe para a produção do indivíduo.


segunda-feira, 4 de julho de 2016

TEMPORALIDADE E IMANÊNCIA

Considero o tempo a memória em movimento, consciência corporal das coisas, que não se restringe ou se enquadra no tempo linear, cronológico e artificialmente imposto pelas configurações modernas. O tempo da consciência é formatado pelo lembrar, que une passado e presente em uma continuidade de experiências abstratas. A organização temporal da mente não é um dado natural, mas cultural. O tempo é uma experiência mental que espontaneamente se realiza através de um fluxo de acontecimentos cumulativos onde a consciência expressa a justaposição de todos os três momentos temporais (passado, presente, futuro). A imanência é contemporânea de todo momento temporal, através dela eles coincidem em um só fluxo ou instante que é a nossa própria pre-sença no mundo. O momento de agora modifica tanto o antes quanto o depois ao afirmar-se como algo constante e mutável.