terça-feira, 9 de junho de 2015

A DECADÊNCIA DA LEITURA

Já não contava com o consolo de eventuais leitores. Hoje em dia havia muita gente escrevendo boas coisas por ai. Mas poucos liam alguma coisa. É difícil quem consegue ler , até mesmo, as principais obras do cânone ocidental.

As pessoas  já não tinham mais tempo para as letras. A banalização da informação, por outro lado, empobreceu o ato de ler. Tornou-se algo trivial e banal. Ninguém sente mais grande coisa diante de um livro. As pessoas já não se enxergam mais. Estamos todos perdidos.

Eu não acredito mais em leitores. Nem naquilo que escrevo... na minha capacidade de dizer alguma coisa realmente significativa.


sexta-feira, 5 de junho de 2015

A VOZ E O VERSO

Em minha voz há mais poesia do que no silencio cotidiano das palavras dos outros.
Há imensidões desfeitas em imaginações e razões quebradas em um ato de desejo.
Um futuro perdido chora através da minha dor.
Nenhum sentido veste meu sentimento dos fatos.
Morrer é mais fácil
Do que viver esta vida que se perde da gente.

Mas em minha voz há poesia...dor e vida, 
um sentir de muitas quimeras.

terça-feira, 2 de junho de 2015

CIDADE E ANONIMATO

A cidade é suas ruas
E não as suas casas.
É a familiaridade do estranho
E a necessidade do desconhecido
Como uma neurótica identidade.

A cidade é o medo,
A multidão perversa e neurótica
Na qual em cada dia afogamos

Em desesperado anonimato.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

A DECADÊNCIA DO DIÁLOGO

“Na sala, enquanto falo, paira como uma sombra ectoplasmática a neblina da incompreensão que emana dos cérebros presentes, como o bafo da respiração das vacas no frio da madrugada. Hálito cerebral bem espesso e onde as palavras abrem um caminho  a fórceps em direção ao paradoxo.”

JEAN BAUDILLARD in COOL MEMORIES III

As pessoas estão perdendo a capacidade de conversar. Pelo menos tal como se entendia até agora a dialética de uma boa prosa. Não se trata mais de trocar argumentações, encadear raciocínios. Mas apenas de dizer o superficial do pensamento sem o filtro de qualquer reflexão.
O que norteia uma conversa hoje em dia é a compulsiva necessidade de falar de si mesmo, de cativar o interlocutor com uma performance eficiente e egocêntrica. Estamos tão saturados de informação que somos incapazes de dizer algo realmente autêntico, usar as palavras para compartilhar  impressões reais sobre a realidade. Os diálogos tornaram-se ocos e pragmáticos.

Apenas conversamos porque somos incapazes de conviver com o silêncio. Mas atualmente nada que possa ser dito é capaz de substitui-lo ...

A EXPERIÊNCIA ATÉIA

A experiência ateia , em todas as suas formas de expressão, afirma a liberdade como princípio a partir de uma representação do universo onde não cabe  o dogma da ideia de uma ordem universal objetiva que torne a realidade inteligível.

Trata-se de um posicionar-se diante do mundo a partir da premissa de uma autonomia pessoal de pensar e representar as mais variadas questões da vida sem o peso de dogmatismo e meta narrativas impessoais.

O ateísmo pressupõe a experiência direta da reflexão critica, o cotidiano questionamento de nossos cotidianos lugares comuns.


CADA INDIVÍDUO É UM MUNDO

Sei que cada pessoa carrega em sua consciência um passado pessoal e incomunicável.

Não importa quantas autobiografias escreva, suas memórias  pessoais, o modo como lembra sua própria existência no tempo, é algo que morrerá com ela.

É esta intima capacidade de lembrar e  construir imagens sobre o nosso próprio passado que nos confere uma identidade única e subjetiva.

Apesar de suas premissas sociais e culturais, a experiência  singular de existir, pressupõe uma configuração única de consciência. Um fenômeno irracional através do qual construímos significados e estabelecemos referências a partir de nossa simples sensibilidade cotidiana.

Um determinado indivíduo pode, evidentemente compartilhar experiências, mas cada um terá o seu próprio modo de conta-las, de arruma-las em sua própria equação pessoal. Mas a caoticidade desta pluralidade de possibilidades possíveis de individualmente codificar o real  dificilmente será algum dia objeto de qualquer ciência. Mas é esta singularidade de consciência de si e do mundo que faz de cada indivíduo um mundo complexo apenas em si mesmo.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

RADICAL INDIVIDUALISMO

Não quero estar em comunhão com o mundo.
Me recuso a viver como todos.
De uma vez por todas,
Entendam,
Sou único
E abito apenas
Em meu próprio mundo.
Não insistam.
Mantenham distância.
Eu sou único.
Não me curvo aos outros.


terça-feira, 26 de maio de 2015

POR UMA VIDA AUTÊNTICA

Tenho errado em viver de acordo unicamente com minha consciência.

Pouco me importam os modismos, as ideologias, valores hegemônicos ou, simplesmente, como sou visto pelos outros.
Não me curvo ao olhar do outro, as necessidades corriqueiras do traquejo social.

Não perco meu tempo cultivando boa aparência ou opiniões de maioria.

Tenho o defeito de ser franco, demasiadamente franco.

Estou preocupado com meus monólogos e nada espero dos diálogos que estabeleço com quem quer que seja. Entre eu e o outro sempre haverá um abstrato e fatal abismo.


Preocupo-me apenas, portanto, em  manter um precário e difícil equilíbrio entre as múltiplas tendências e possibilidades do somatório de tudo aquilo que sou.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

FRUSTRAÇÃO

Estava vazio e sozinho
Em meio ao arrependimento
De ser eu mesmo.
Escutava os ecos de antigos erros
Entre as saudades de perdidas felicidades.

Colhia o nada e o absurdo de me perder no tempo
E desesperadamente querer o improvável,
O inacessível,
Contra o  inútil dos meus atos.

A alegria e a felicidade riam de mim
Nos cumes do impossível.


REALIDADE

Vivemos todos à sombra de nós mesmos,
Afundados em nossas questões pessoais
E atormentados por nossas interrogações sociais.

Vivemos todos a beira de abismos,
Flertando com o vazio,
Nos equilibrando precariamente

Entre o absurdo e o sentido.