quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

DEVIR E EXISTÊNCIA


Não me governam a lei, a ordem,
 a tradição e a memória.
Existo em estado de transformação permanente.

Tudo que sei envelhece rápido demais.
Por isso, sou feito  de inconstâncias,  descontinuidades, conflitos, gritos
e questionamentos.

Abomino catecismos, cartilhas, causas, partidos e escrituras sagradas.
Nada me ensina o passado e o futuro
além da transitoriedade de todas as coisas
em um universo em expansão.

Contra toda forma de tradição,
aprendi o devir,
superando a ilusão de progresso
e as limitações da razão.

Meu viver  é, deliciosamente,
incerto e imprevisível.
Pois sei que ao fim do dia serei outro
permanecendo Único.






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