terça-feira, 25 de outubro de 2016

A MATÉRIA PRIMA DA VIDA

 O acontecer de uma vida humana não é objeto de qualquer ciência. É acima de tudo um ato de consciência na imediaticidade da experiência. Mesmo quando escrevemos uma autobiografia, o que ali se revela é apenas uma imagem de nossa própria existência. O essencial não pode ser compartilhado, nem mesmo cabe como objeto do pensamento.

O conjunto de fenômenos que define uma existência humana em suas diversas perspectivas, seja biológica, ontológica ou psicológica, personifica um somatório caótico de coisas. Algo dinâmico que, na falta de um termo mais preciso, denominamos  existência. Mas o existir só é um dado da experiência na medida em que a existência é em todos os sentidos aquilo que é exterior a si mesmo. Seu caráter é indeterminado. Existir não é um conceito ou uma conclusão, é simplesmente uma premissa. A existência é aquilo que escapa a linguagem. É o silencio que compartilhamos em nosso acontecer cotidiano.


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