Uma questão que considero hoje surpreendentemente relevante é a falência
das representações arquetípicas do feminino e do masculino enquanto imagens da
psique.
Pondero que nossas vivencias simbólicas partem de representações de
mundo inspiradas em formatações arcaicas que pressupõem uma imagem geocêntrica de
mundo que se encontram cada vez mais em descompasso com nossas representações
contemporâneas da realidade. Refiro-me a associação entre a terra ou a lua ao
feminino, tanto quanto do sol ou o raio ao masculino.
Em outras palavras, a ideia de um universo misterioso e complexo vem se
justapondo as nossas configurações dualistas tradicionais de realidade
inspiradas pela tradição mitologica. Mesmo que de modo ainda sutil, as imagens
de um universo infinito que ultrapassa tudo aquilo que até hoje concebemos como
realidade na província de nosso planeta azul,
atiça as imaginações mais aguçadas.
O que, afinal, ainda pode ser dito sobre a realidade quando nossas
tradições e certezas mais arraigadas começam a ser desafiadas pela intuição do
desconhecido? Seja o que for, talvez já não caiba mais no jogo dialético da
complementação e tensão entre polaridades opostas.
Se é possível uma nova configuração simbólica de mundo, apenas o futuro
pode nos dizer. Mas me parece razoável apostar que os binários tendem a perder
força dando lugar a diversidade ao múltiplo e ao diverso que imploda
definitivamente qualquer fantasia de um cosmos ordenado.
Evidentemente tudo que posso aqui dizer sobre o assunto não passa de
precipitada especulação.
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