terça-feira, 19 de janeiro de 2016

RASCUNHO EXISTENCIAL

Tudo que sei é que o mundo se define como tal, através de nossos hiatos de identidade coletiva. Em contra partida, a individualidade é um transbordar de si mesmo. Algo que não cabe em qualquer ciência, em todos os sentidos do caos pessoal de nossa simples existência.

Pouco significamos...


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

HUMANIDADE

Minha humanidade não está dada.
É uma construção cotidiana,
uma fantasia,
cuja realidade se estabelece
através dos outros.
Sou em tudo aquilo que compartilho.
Estou onde praticamente não existo
como indivíduo.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

VIDA

A vida é interpretação,
um quase,
um talvez...
Um nunca.
Algo mais que a realidade,
uma indecisão permanente.
Um fato sem solução.
.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O CÉU QUE SE FOI

Aquele céu azul
que nunca me viu
e hoje descansa em paz
naquela  fotografia antiga
escapa a memória.
Pois todos que o souberam
já estão mortos.
Nenhuma palavra ou lembrança
lhe atesta a existência.
Nem mesmo o céu de hoje
lhe faz referência.
Quanto a fotografia...

Ninguém mais sabe dela.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A PALAVRA IMPOSSÍVEL

Queria inventar uma palavra
para as ocasiões de silêncio
e tédio,
para quando não temos
grandes vontades,
e só queremos  fugir de tudo,
dormir a sombra das ilusões
e dar de comer as imaginações.
Mas é inútil...

Não cabem palavras no tédio.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

DEVIR

Meus atos são impacientes,
minhas vontades nervosas
e minhas conquistas incertas.
Tudo em mim é provisório,
duvidoso e torto.
Quando quase me faço
de um jeito
me desfaço em busca
de um outro.
Não tenho definições,
nunca me termino o rosto.
sou sempre apenas

um momento fugaz de mim mesmo.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

MEUS TANTOS EUS

Afogaria o tempo
se pudesse
e misturaria todos
os meus eus
em um único rosto,
para respirar o fundamental
de todas as virtuais versões
de mim mesmo
ao longo da existência.
Pois sei que sou múltiplo
e indiferente a minha própria
pluralidade.
Ignoro as multidões
que me definem internamente.

Pouco me  conheço.

DESAPARECIDO

Existo em tempo e espaço,
em carne e osso,
indiferente a abstração da humanidade.
Meu futuro é incerto,
meu caminho raso.
Não me procurem em meus passos,
pois não estou em parte alguma,
desapareci em mim mesmo.


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

DEVIR E REALIDADE


Não ama a verdade
Quem cultiva certezas
E cristaliza o mundo
Em realidades.
Tudo é devir,
Quase existência,
Movimento da vontade
Em ascendência,
Em busca do simples sentimento
De que tudo é perecível,
Provisório e incerto
Quando tratamos do humano.
Perceber das coisas vividas
E sentidas

É  um ato de plena incerteza....

LEMBRE-SE SEMPRE QUE A HUMANIDADE NÃO É LÁ GRANDE COISA

Tenho desejos simples e banais como todo mundo... Mas isso não é tudo.

Somos seres relacionais. A própria identidade pessoal é uma rede de relacionamentos entre imagens que nos configuram o real e tornam possível uma auto imagem que, por mais intima que nos pareça, não passa de uma construção social.
Mas o modo como tecemos significados é uma equação singular que nos faz únicos.

Não que isso signifique muita coisa diante das infinitas possibilidades do se fazer indivíduo.

Estou aqui a devagar sobre minha própria condição humana no singular e, admito, não encontro qualquer resposta satisfatória para o dizer de minha finitude.

As vezes penso que sou apenas um insignificante acidente no universo. Algo sem qualquer consequência e destinado a simplesmente desaparecer com a mesma banalidade com que me tornei possível um dia.
Penso em todos os não nascidos. Das possibilidades perdidas de pessoas que nunca aconteceram e que, no entanto, não fazem a mínima diferença, não são “uma ausência”. O mundo não mudaria se eles tivessem sido possíveis.

Não pretendo chegar a lugar algum com esta prosa solta e rala de sentido.

A questão aqui é elementar: a existência humana não é uma questão de valor.  É apenas um acontecer sem qualquer sentido e, qualquer leitura que fizermos disso, deve  fugir a vaidade natural de nos colocarmos como algo valioso na face da terra.
A humanidade não é grande coisa. Aceite isso e seja aquilo que te cabe ser.