terça-feira, 18 de junho de 2013

FALTA

A elementar falta
Que fatalmente
Me cala
Não cabe
Em todo meu silêncio,
No sofrimento
De viver em pedaços,
De ser em retalhos
No lixo de cada dia.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

DESALENTO

Chega um tempo em que a gente se perde da gente e revê a vida em suas urgências, em seus limites e insuficiências. Toda realidade então empalidece, vazia de verdades e sem o conforto de qualquer sentimento de mundo.
Tudo se perde em um grande silêncio, no improvável dos fatos e nas rubras vontades que se escrevem no rosto como um profundo cansaço de tudo.
Entretanto, seguimos  pela existência. Mesmo que sem metas, objetivos ou futuros.
Seguimos aos tropeços...
Pura e simplesmente seguimos. 

domingo, 16 de junho de 2013

ALEM DA CAUSA E EFEITO



Causas e efeitos
Já não explicam os fatos,
As atitudes,
Angustias e ânsias
Que nos  definem
A condição humana.
Somos
Feitos de ventos,
De sementes de tempestades
E barulhentos silêncios.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

MENOS QUE O MUNDO



Cada vez menor
É o meu mundo,
Minhas possibilidades,
Meus sonhos
E minhas vontades.
Pouco cabe em mim
De realidade.
Tenho aos poucos
Ficado
Pelo caminho.

TRISTE POR DO SOL

Contemplando
O sol borrado
Que decorava
Uma tarde fria,
Revirei a vida
Através da memória.
Quase não me reconhecia
Em cada lembrança.
Habitava agora
O avesso de todas
As esperanças,
De todas as possibilidades,
No mais profundo
Desencontro de tempo e mundo...

DISTÂNCIA

Me faltam palavras
Para dizer
O mais obvio
De mim mesmo
Pois o essencial
Do fato de viver
Escapa
Na banalidade de tudo
Que existe
E me queima o peito.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

NOVÍSSIMO QUIXOTE

A vida me deu
Apenas
O risco,
O grito,
O cisco no olho
E o horizonte fechado...
Apenas isso
Para enfrentar os dias
E sobreviver aos fatos
Como infante
E solitário sonhador.



segunda-feira, 10 de junho de 2013

EFÊMERO COTIDIANO

Torna-se
Cada vez mais
Difícil
Distinguir
O depois
Do ontem
Nas urgências fugazes
Do sempre igual
Do agora.


Consumido
Pelas minúncias cotidianas
Quase não respiro
O tempo...

PAISAGENS PERDIDAS

É triste
Quando os olhos
Procuram perdidos
Aquilo
Que já não pode
Ser visto,
Tudo que o tempo
Roubou da gente
Contrariando as urgências
Do querer e da vontade.
Hoje a antiga paisagem
Já não é mais a mesma,
Não nos conforta
Ou abriga,
Se quer nos reconhece...

quinta-feira, 6 de junho de 2013

AFORISMAS SOBRE POETICA



Assim como a vida cotidiana a poesia é um fato linguístico.
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Pode-se dizer que a poesia só acontece quando o sujeito se torna objeto da coisa que se transcende como objetetividade nas imaginações das palavras,  transfigurando-se em imanente PRESENÇA.
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O extrateritorial da vida é o que melhor define as imagens poéticas, cuja premissa básica é a ruptura do real e do  convencionalmente estabelecido.
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A poesia fala onde o eu se cala.