domingo, 30 de maio de 2010

A IMAGINAÇÃO DO TEMPO


Passados tremulam
No varal da casa antiga
Sob o morno sol dos futuros.
Talvez eu a visite
No virtual da memória
Em algum amanhã sem tempo
Ou espaço,
Buscando os restos
De mim e dos outros
Escritos em biografias.
Tudo que somos, afinal,
É a memória de nós mesmos
No abstrato de cada palavra
Que desafia o tempo...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

CITAÇÕES SOBRE A DINÂMICA DO PENSAMENTO NO PRIMEIRO WITTGENSTEIN



“ Só poderiamos saber a priori que um pensamento é verdadeiro se, a partir do próprio pensamento( sem objeto de comparação), fosse possível reconhecer sua vertdade.”
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Só fatos podem exprimir um sentido, uma classe de nomes não pode.”
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O pensamento contém a possibilidade da situação que ele pensa. O que é pensável é também possivel.
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Nao podemos pensar nada de ilógico, porque, do contrário, deveríamos pensar ilogicamente.”
A figuração lógica dos fatos é o pensamento.”

FRAGMENTOS SOBRE A AMIZADE



Entre os amigos a amizade deve ser como um código de distanciamentos que nos conduz a aproximações intimas...
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O contato é o labirinto da amizade...
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O amigo é aquele que nos suporta e suportamos por opção...
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Toda boa amizade é solitária na projeção de nós mesmos no acontecer do outro...
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Nossas amizades devem ser a medida de nossa individualidade...
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Cada amigo é uma busca de nós mesmos no anonimato do mundo...
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A amizade é uma subjetiva e irracional modalidade de comercio...   

domingo, 23 de maio de 2010

JAMES FENTON: UM "CLÁSSICO" CONTEMPORÂNEO



Foi navegando pela internet em uma madrugada vazia  que descobri o jornalista, critico, correspondente de guerra e  poeta contemporaneo britanico James Fenton ( 1949- ...) . Seu senso de humor, erudição e originalidade despertaram-me o enteresse no primeio contato com suas letras, apesar do meu precário dominio do ingles.
Em linhas gerais, considero Fenton é um perfeito “clássico” que se reinventa em contemporaneidade...
Alem da leitua de seus Selected Poems ( Pinguim, 2006), um dos vários caminhos para conhecer o autor é visitar seu web site (www.jamesfenton.com ).

LIFE IN TIME



Tudo que tenho
Na vida
É um naco de sorte
Guardado no incerto do tempo
Para enfrentar com heroismo
O improviso de cada dia.

Sei o quanto
Nada é perfeito,
O tanto que sou
Também
Impérfeito.

Em todas as coisas
Que faço,
Quero ou sonho,
No fundo apenas
Envelheço...

NOTA SOBRE MEU SENTIMENTO DE REALIDADE


Tenho inutilmente buscado abrigar em palavras o ilegivel de cada dia, o mais intesno sentimento de existencia e tempo que me queima em pensamento...
Mas, concretamente, apenas sinto inerte em cotidianos o passar da vida e das coisas que pouco a pouco me roubam de mim mesmo...
Sei que no fundo todas as minhas caras questões, memórias e expectativas de futuro não valem o instante de inercia de uma simples pedra...

NOTA SOBRE IMAGINAÇÃO E CONDIÇÃO HUMANA


Nossas emoções e pensamentos, assim como toda experiencia humana do real, compreendem apenas representações do mundo e nós mesmos. Justamente por isso, a veracidade de todo enunciado possivel é uma questão secundaria frente ao seu poder de transmutar-se em atos e fatos cujo fundamento é  abstração que define a própria condição humana...

TIME AND TIME



Reapreendo-me desfeito
No somatório dos atos
Adivinhando o tempo e a sorte
Que me escravizam cotidianamente.

Percebendo que,
Abandonado a mim mesmo,
Vivo cada fantasia
Que me decora a mente
Perdida em mundo
Como um mendigo de significados
E sentidos.

Ultrapasso, assim,
A própria vida
No caótico acontecer
De todas as coisas
A minha volta...

domingo, 16 de maio de 2010

FRAGMENTOS PARA UMA FILOSOFIA DO PÓS NIILISMO



Toda tradição filosofica ocidental é o futuro da ilusão do conceito de Ser como fundamento da verdade e personificação de uma abstrata vontade geral de significado...
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Apesar dos avanços das codificações cientificas de realidade acontecidas na época moderna, ainda somos  assombrados  por metafisicas em nossos discursos possíveis sobre o real e os fatos...
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O mundo é como o eu projetado na aparente  exterioridade das coisas dialogando com uma pluralidade de outros eus. Por isso o mundo só existe como representação e vontade que nossa linguagem cria...
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Atos e fatos são mera construções linguisticas inseridas em fisicas codificações de realidade...
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Nada é mais ridiculo do que a dualidade filosófica tradicional entre aparencia e essência, mente e corpo... Contra isso codifico o caos e o aleatório como senha de toda represenataçãop possivel do que vivo contra todas as certezas tradicionais...  

sábado, 15 de maio de 2010

sobre o acaso e a melancolia


Todas as coisas
São imprecisas,
Ambiguas
E incertas;
Reduzidas a sorte
De seu próprio  movimento...

O mundo inteiro
Não passa de acaso,
De pequenos  golpes de sorte..
His constant fear of failure...

Provisório e desarticulado
Abandono-me
Ao sabor do dia.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

CLEEP


Vivemos das migalhas
De palavras e significados,
Do quase sentido
De todas as coisas ditas
Contra o vazio de cada dia...

Vivemos de enunciados vividos
Como se sempre houvesse
Um amanhã possível
E tudo fizesse sentido...

I am Cleep...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

DAY AND NIGHT



O dia vivido
Povoa a noite
Como um pesado fardo,
Como se suas horas
Ferissem o tempo,
Magoando pensamentos
Explodindo em expectativas
E  dúvidas
De um triste amanhã
De quase existência
Na direção
Do infinito
De algum quase
Querer perdido...

domingo, 2 de maio de 2010

REAL


O discreto som dos atos
Imprimindo
Meu nome nas coisas
Define-me no mundo
E no tempo.       

I exist here...

Estou em cada objeto
Que toco e transformo,
Em cada beijo perdido,
Indeciso e provisório,
Guardado em silencios...
I exist here...

sábado, 1 de maio de 2010

The Animals House of The Rising Sun (Original Sound) 1964

The Animals - It's My Life

Radiohead - Karma Police (Legendado)

Radiohead - All I Need (Official MTV Video)

UM FRAGMENTO DE WITTGENSTEIN



110-  “O pensar, mais sua aplicação, procede passo a passo, como um calculo.- Sejam quantos forem os passos intermediários que eu inserir entre o pensamento e sua aplicação, cada passo intermediário sempre segue o anterior sem nenhum elo intermediário e, da mesma maneira, também a aplicação segue o último passo intermediário. É o mesmo como quando queremos inserir elos intermediários entre a decisão e a ação.

A ambiguidade  de nossas maneiras de nos expressar: Se nos fosse dada uma ordem em código com a chave para traduzi-la para o inglês, poderiamos chamar o procedimento de construir a forma inglesa da ordem de “ derivação do que temops de fazer a partir do código” ou “derivação daquilo que é executar a ordem”. Se, por outro lado, agirmos segundo a ordem, obedeceremos a ela, aqui, também, em certos casos, poderemos falar de uma derivação da execução.

Não poderemos transpor a ponte para execução até estarmos lá.”    

Ludwig Witengenstein. Gramática Filosófica. organização de Rush Rhees/ tradução Luis Carlos Borges. SP: Edições Loyola, 2003

SOBRE A ESSENCIA DE DUVIDAR DE TUDO


O aprendizado do que nos é estranho e desaprendizado do que nos é familiar é uma imposição constante  do aleatório devir da existência.
Certeza alguma  é menos inequivoca do que este movimento de reflexão er pensamento que revela a duvida como a mais elementar fundamentação do que podemos conceber sobre o mundo e as coisas...

quinta-feira, 29 de abril de 2010

SOBRE A ILHA DOS CONDENADOS by STIG DAGERMAN



 Segundo romance do escritor sueco Stig Dagerman ( 1923-1954)  A Ilha Condenada é quase um pesadelo vivido por sete naufragos isolados em uma ilha deserta a espera da morte... Em cada  capitulo  nos é apresentado o perfil psicológico de cada um através de  uma narrativa recheada de simbolismos, devaneios e  ansiedades que nos conduzem aos abismos da condição humana...


"Simbolicamente apenas? Mas não será tudo simbólico? Não o são as nossas realizações, ainda que nos batamos num mundo feito de milhões de relações humanas e com milhões de destinos entre os nossos dedos? As nossas realizações não serão, mesmo nos melhores momentos, tão lamentáveis que o combate que travámos por elas perderia todo o valor se lhes não déssemos uma importância simbólica, uma importância de combate enquanto combate? Que escassos resultados práticos! Seríamos capazes de fazer fosse o que fosse, a menor acção, se tratássemos os símbolos como realidades práticas?
(...)



Viver era como correr em círculo num grande labirinto, esse género de labirinto para crianças que se vê em certos parques de jogos modernos; em cima de uma pedra no meio do labirinto há uma pedra brilhante; os míudos chegam com as faces coradas, cheios de uma fé inabalável na honestidade do labirinto e começam a correr com a certeza de alcançarem dentro de pouco tempo o seu alvo. Corremos, corremos, e a vida passa, mas continuaremos a correr na convicção de que o mundo acabará por se mostrar generoso para quem correr sem desãnimo, e quando por fim descobrimos que o labirinto só aparentemente tende para o ponto central, é tarde demais - de facto, o construtor do labirinto esmerou-se a desenhar várias pistas diferentes, das quais só uma conduz à pérola, de modo que é o acaso cego e não a justiça lúcida o que determina a sorte dos que correm.



Descobrimos que gastámos todas as nossas forças a realizar um trabalho perfeitamente inútil, mas é muito tarde já para recuarmos. Por isso não é de espantar que os mais lúcidos saiam da pista e suprimam algumas voltas inúteis para atingirem o centro cortando caminho. Se dissermos que se trata de uma acção imoral e maldosa, não devemos esquecer que a imoralidade de um homem não poderá, nunca por nunca ser, competir com o malefício da ordem do mundo cujas engrenagens bem oleadas funcionam sempre na perfeição. Temos, por um lado, um desespero que se incendeia rapidamente assumindo formas cada vez menos equilibradas e, por outro lado, uma consciente imoralidade de reflexos metálicos e glaciais, orgulhosa do seu gelo e do seu fulgor.

(...)

Uma vez que estamos sós no mundo, ou pelo menos não tão sós como gostaríamos de estar, temos o dever de dominar as nossas explosões, de fazer com que as explosões inevitáveis da nossa maldade ou da nossa bondade paradoxais vão aproximativamente no sentido do fim aproximativo. Quanto ao fim, talvez não seja lá muito importante determiná-lo com a precisão sádica que encontramos no sistema do mundo e no destino quando ambos se associam para determinar a posição do homem no espaço e no tempo.
Devemos evidentemente batermo-nos contra os dois, e como o mais importante é manter a direcção justa do fim talvez errado, é-nos necessário aguçar a nossa lucidez a fim de a tornarmos cortante como uma lâmina, acerada como uma seta, percuciente como uma punção. É graças a essa lucidez que funciona a nossa consciência, que não passa afinal de uma transcrição idílica do nosso medo, porque o medo lembra-nos infatigavelmente a direcção justa, e se sufocarmos o nosso medo, perderemos a possibilidade de nos orientarmos numa direcção determinada e daremos aqui e ali lugar a uma série de estúpidas explosões privadas, causando os piores estragos para um mínimo de resultados. É por isso que devemos conservar dentro de nós o nosso medo como um porto sempre livre de gelos que nos ajude a passar o Inverno, e também como uma corrente submarina vibrando por baixo da superfície gelada dos rios."

Stig Dagerman in A ILHA DOS CODENADOS





segunda-feira, 26 de abril de 2010

ESPELHO


Indiferente



O correr do tempo


Adivinha destinos


No acontecer de eus...


Mas vejo apenas


Personas, roupas


E poucas palavras


Aleatoriamente espalhadas


Entre mecânicos atos


De noite e dia.


Pois sei


Que minha existência


Se faz realidade


Ou verdade


Dentro dos olhos alheios...



domingo, 25 de abril de 2010

Renaissance - Carpet of the Sun

In A Gadda Da Vida - Iron Buttefly I

BIOGRAFIA E INDIVIDUALIDADE

Cada individuo é a inexata soma de suas experiências vividas articuladas como memória e significado. Isso o distingue de seus pares na exatra medida em que lhe transforma em paradoxal dialogo entre um eu e um outro de si mesmo mediado pela linguagem... Neste contexto, a memória apenas define o locus através do qual produzimos discursos sobre o mundo e quem somos na invenção constante das realidades vividas...


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Radiohead - No Surprises

DAY AND LIFE


Atos decoram o dia



Parcialmente vivido


No absurdo de rotinas;


Atos mecânicos,


Quase automáticos,


Nos quais não reconheço


Ou percebo


Qualquer biográfica marca,


Qualquer alegria ou ludico


De mero sentimento de vida...






Existo no virtual de imaginações


Em oniricos devaneios e evasões


Contra o absoluto das significações


E coletivas verdades diarias...







MICRO UNIVERSO

Tento pensar um sorriso



Dentro do pensamento


Que obtuso


Se transforma em ato e vento...






Pois gosto


De imaginar sentimentos


Dentro de cada objeto


Que povoa a vida


Como muda paisagem


De abstrato quadro.






Me enervo no olhar que toca


Cada canto do finito


Em complexo cenário..

segunda-feira, 19 de abril de 2010

META INFÂNCIA




Em algum canto

De paz e sonho,

Perdido entre madrugadas

E imaginações,

me reinvento em um sonho bom.





A criança que fui um dia

Envia mensagens do além,

tem nostalgia de futuros

que ficaram esquecidos

na velha caixa de brinquedos.



sexta-feira, 16 de abril de 2010

INDIVÍDUO E SOCIEDADE

Eu amo o vazio



Que em cada dia


Acorda os desafios


De cada momento.






Adoro o tempo


Ao qual me rendo


Em gradativo desaparecimento...






Gosto de aprender


A ser o minimo


Que me diz o rosto


Entre os outros


Em anônimo nada...







quarta-feira, 14 de abril de 2010

CONSCIÊNCIA E LINGUAGEM

A consciencia é como o fluir de um rio, um ininterrupto fluxo de imagens e pensamentos no impreciso vir a ser da condição humana. Mas Nõ existe uma conexão direta entre consciencia e realidade ( ou representações de realidade), muito menos um processo mental ao qual nos referimos quando falamos em consciencia. Aquilo que vagamente definimnos como mente não condiciona a formação de enunciados simbolicos ou codificações da realidade. Pois a consciencia é um grande vazio para o qual toda significação possivel é uma premissa linguistica, uma vez que toda figuração do mundo é uma função da linguagem e não do pensamento...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

SOBRE LITERATURA BEAT

A chamada Geração Beat, é uma das principais matrizes da cultura contemporânea. Seu legado, entreto, é pouco discutido e permaneça envolvido por varios estereótipos e preconceitos. Contrariando esta tendência geral, o ensaio A GERAÇÃO BEAT de Claudio Willer é uma satisfatória introdução ao tema.


Não é minha proposta aqui propriamente resenhar o texto de Willer, mas a partir dele apontar para atualidade da cultura beat. Afinal, o autor nos oferece um panorama amplo e consistente desta verdadeira explosão de criatividade e renovação literária que sacudiu os Estados Unidos a partir dos anos 50. Para Willer, uma das peculiaridades desta literatura, quando comparada a movimentos vanguardistas como o surrealismo, é sua diversidade interna e multiculturalismo, além da informalidade que condicionaria seu desenvolvimento ao longo de decadas.

Embora originado como movimento literário entre os anos de 1944 e 1958(9) através da colaboração e convergência de um pequeno grupo de jovens escritores como Jack Kerouac, Neal Cassady, William Burroughs, Hebert Huncker, John Clellon Holmes e Gregory Corso, a cultura beat reinventou-se ao longo dos anos 60 do ultimo século, ampliando-se e transmutando-se em contra cultura, rebeliões juvenis e Flower Power.

Como observa Willer quanto a este particular, assim como o surgimento do Beat é marcado pela dramática tentativa de censura dos textos , a contra cultura o foi pela ação policial direta. Tal ação repressiva, paradoxalmente, muito contribuiu para a conquista da quase irrestrita liberdade de expressão da qual gozamos nos dias de hoje.

Apesar desta simbiose entre cultura beat e contra cultura, vale assinalar que a primeira, após a perda do prestigio da segunda em fins dos anos 70, permaneceu despertando forte fascínio e interesse.

Segundo Willer

“ A contra cultura foi a última manifestação de alcance universal do século XX. Dai em diante, desde 1968, sucederam-se movimentos de afirmação de particulares, nacionais ou regionais,n e das minorias e setores especificos da sociedade. A cultura jovem segmentou-se e fragmentou-se em tribos e tendencias: punks, góticos, neo-hipies; a militancia politica de esquerda, em tendências, facções, conventículos. Haverá quem diga que a movimentação mais recente associada ao Forum Social Mundial é uma retomada da mobilização planetária; contudo, por mais expressiva que seja, não se mostra capaz, como o foram as revoltas de 1968, de paralisar uma nação ( como aconteceu na França em maio de 68) ou de colocar governos em xeque.

Mas o eclipse da contracultura não determinou o declinio do prestígio da beat. Ao contrário: é como se, freado o movimento alternativo, houvesse o retorno àquilo que o originou, a uma densidade inerente à pesquisa e à invenção literária, talvez perdida com a subsequente massificação. Muitos autores podem ser associados à geração hippie e à contracultura; sua expressão artística é evidente na música, do experimentalismo lisérgico à canção de protesto, e em diversidade de criações em artes visuais e multimeios. Mas não se pode designar essa produção de contracultura nos mesmos termos em que se fala de beat, essa sim, movimento literário em primeiro lugar, e acontecimento comportamental em seguida, por consequência.”

( Claudio Willer. Geração Beat. Porto Alegre: L&PM, 2009 ( coleção L&PM Pocket); p.110-111)


EGO AND TIME


Sei que não posso

Retroceder nos caminhos dos anos,
Reinventar-me
Nos fatos estáticos
Que me decoram biografias,
Para respirar em alivio
Outros futuros.


Pois este eu
Que ora escreve,
Não é o mesmo
Que intensamente
Provou o passado
E, muito menos,
Será aquele que viverá
Meu último suspiro...