sábado, 10 de abril de 2010

H L MENCKEN: A VIDA COMO CRITICA DE TODAS AS COISAS


No cenário ca cultura norte americana dos anos 20 e 30 do último século, o nome do filologo, critico e jornalista H L Mencken (1880-1956) tem merecido destaque pelo humor corrosivo, sarcasmo, e refinado espirito critico que lhe permitiam dissertar com maestria sobre as multiplas manifestações da estupidez humana.

Seja ridicularizando o fundamentalismo religioso, tão caro a cultura norte americana, desqualificando a politica e os cotidianos preconceitos do cidadão mediano, Mencken produziu uma obra tão singular para a época que podemos considera-lo um prercursor do modernismo na literatura americana e uma especie de Bernard Shaw da america.

Sua obra, embora produzida a quase um século, me é profundamente contemporânea e inspiradora pelo seu criticismo absoluto, mais do que nunca atual. Afinal, a individualidade é cada vez mais um excercicio de critica de todas as coisas... 

Reproduzo aqui alguns fragmentos de textos reunidos na coletanea O Livro dos Insultos de H L Mencken, selecionado, traduzido e prefaciado por Ruy Castro:



“ Um dos princiapais encantos da mulher na sociedade humana talvez seja o fato de que elas são relativamente incivilizadas.”

*

O homem, na melhor das hipóteses, continua uma espécie de animal cambeta, incapaz de tornar-se redondo e perfeito como, digamos uma barata é perfeita.”

*

O MEDICO

“A medicina preventiva é a corrupção da medicina pela moralidade. É impossivel encontrar um medico que não avacalhe sua teoria da saude com a teoria da virtude. Toda a medicina, de fato, culmina numa exortação etica. Isto resulta num conflito diametral com a ideia de medicina em si. O verdadeiro objetivo da medicina não é tornar o homem virtuoso; é o de protege-lo e salvá-lo das consequencias de seus vivios. O medico não prega o arrependimento; ele oferece a absorvição.”

*

Talvez a qualidade mais valiosa que qualquer homem possa ter neste mundo seja um ar naturalmente superior, um talento para impinar o nariz com desprezo.”

*

O CREDULO

“A fé pode ser definida em resumo como uma crença ilogica na ocorrencia do improvável. Ela contem um sabor patológico;extrapola o processo intelectual normal e atravessa o viscoso dominio da metafisica transcendental. O homem de fé é aquele que simplesmente perdeu (ou nunca teve) a capacidade para um pensamento claro e realista. Não que ele seja uma mula; é, na realidade, um doente. Pior ainda, é incurável, porque o desapontamento, sendo essencialmente um fenomeno objetivo, não consegue afetar sua infermidade subjetiva. Sua fé se apodera da virulência de uma infecção crônica. O que ele diz, em suma, é: “Vamos confiar em Deus, Aquele que sempre nos tapeou no passado”.

*

“Talvez a mais valiosa de todas as propriedades humanas, depois de um ar de empáfia e superioridade, seja a reputação de bem sucedido. Nenhuma outra coisa torna a vida mais fácil.”

*

“Todo home descente se envergonha do governo sob o qual vive.”

*

Todo artista de alguma dignidade é contra seu próprio pais. Pense em Dante, Tolstoi, Shakespeare, Rabelais, Cervantes, Swift e Mark Twan.”

*

“A democracia é a arte e a ciencia de administrar o circo a apartir da jaula dos macacos.”

*

“A monogamia mata a apixão- e a paixão é o mais perigoso de todos os inimigos da civilização”

Referencia das citações: H L Mencken.  O livro dos insultos de H L Mencken/ Seleção, tradução e prefácio de Ruy Castro. SP: Companhia das Letras, 1989, 3° reimporessão.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

THE DAY AFTER


Sei que o dia seguinte

Pode não trilhar a rotina
Do existir de agora,
Explodir em inesperados acasos,
Desconstruindo certezas e planos,
Soterrando-me em fatos e enigmas
De acontecimentos nus...

YES...


Aprendo a tropeçar no instante,

Cair no momento,
Para inventar horas,
Passados e futuros
Delirando o presente
Entre memórias que brotam
De algum ideal de ego cravado
Entre o tempo e o espaço...
Mas sinto-me timidamente
Algo mais que isso...

Yes, I Can’t...



quarta-feira, 7 de abril de 2010

PESSOAL ANONIMATO


Sei que sou apenas

Qualquer pessoa
Aos olhos dos outros.

Uma opaca realidade
De carne e osso
Sem significativa substancia,
Qualquer incerta coisa de mundo
Que lentamente se acaba no tempo
Ferindo esquecimentos
E inventando memórias...



sexta-feira, 2 de abril de 2010

SIGNIFICADO DO PÓS MODERNISMO


A teoria da pos modernidade, em suas tantas formulações e versões, pressupõe a hipótese de que vivemos em uma época de transição e desconstruções.

Contra o télos histórico da modernidade, o ideal abstrato de uma emancipação humana através de um projeto racional, a pós modernidade sustenta uma releitura do micro-universo do efêmero, do anedótico e singular.

Desfazendo os universais de inspiração metafísica, afirma uma imagem de mundo fundada no ilegível da condição humana e no aleatório devir de todas as coisas entre arte e ciência...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

LARGE HADRON COLLIDER- LHC: A FRONTEIRA FINAL...

O Grande Colisor de Hádrons ( Large Hadron Collider - LHC) , o maior acelerador de partículas e o de maior energia existente , localizado em um tunel na fronteira franco-suiça, cujo maior objetivo é a colisão de feixes de partículas carregadas, tanto de prótons a uma energia de 7 TeV (1,12 microjoules) por partícula, quanto núcleos de chumbo a energia de 574 TeV (92,0 microjoules) por núcleo, realizou na última terça feira seu maior feito ao produzir um big bang em miniatura que segundo os especialistas inaugura uma nova era na história da na fisica moderna.



Uma dos principais objetivos da experiência é a identificação da chamada “partícula de Deus” ou Bóson de Higgs, a única partícula que integra o modelo padrão do universo e que ainda não foi observada. Até agora, nenhum experimento detectou diretamente a existência do Bóson de Higgs, embora haja alguma evidência indireta de sua existência.



O fato é que nos aproximamos cada vez mais de uma representação do universo onde a imagem de um telos, onde uma divindade como principio, torna-se obsoleta e incapaz de dar conta da complexidade da existencia. Em outros termos, a linguagem cientifica é cada vez mais uma linguagem desafiadora dos costumes e convenções que sustentam o imaginário social.

terça-feira, 30 de março de 2010

O TEMPO DENTRO DAS COISAS

O dia ganhou



Um gosto de tristeza antiga


Enquanto o sol caía


Sobre as ruas


Ofuscando cores e coisas.


Tudo se encontrava em silêncio,


Espalhado no tempo


Entre desaparecimentos e inércias...






Em cada canto


Faziam-se ouvir ecos de perdidas realidades.


Nada era mais importante do que o passado enterrado


Na melancolia que vestia cada objeto.

STATES OF CONSCIOUSNESS


Fascina-me a paixão



Acordada por cada objeto


Que me decora a vida,


O pensamento das coisas


Dispersas em paisagens intimas


E a ilimitada busca de certeza


Para os cotidianos atos


Que me sustentam a existência.


Cada dia é como um sonho estranho


Ou reminiscência da indeterminação abstrata


De tudo aquilo que me cerca...

sexta-feira, 26 de março de 2010

SILENCE

Despido de compromissos,

Agendas e relógios,
Dedico-me simplesmente
A passar o tempo,
Esquecer os jornais
E o mundo
Brincando de ser
Eu mesmo
Em domesticas paisagens
De agitado silêncio...

LAST YEARS MODEL

Tenho aprendido

A andar para traz,
Trilhar passados
E sentimentos de vida
Calados no fundo do tempo.

Tenho me reconstruído
Até o limite de idades
Sem saber direito
Aquilo que me fez o futuro...

sábado, 20 de março de 2010

TEMPO E CONTEMPORANEIDADE II


No mundo contemporâneo nossas representações do fenômeno da temporalidade vem se modificando significativamente. O tempo já não é mais concebível em si mesmo, mas como uma dimensão do próprio acontecer natural das coisas mateirais. A temporalidade passa a ser codificada pela sua relação com a imanência tornando-se uma espécie de abstração epidérmica que define a dramatis persona da própria condição humana.
Em outros termos, se a temporalidade moderna é linear, quantificavel, e ainda presa a um modelo teleológico de inspiração religiosa, o tempo pós moderno é material, múltiplo, e personifica o próprio fluir constante e aleatório de todas as coisas reveladas espacialmente a experiência de cada individuo.
Hoje em dia é pertinente nos indagarmos sobre “O QUE É O TEMPO?” para refazer nossas mais caras e convencionais premissas cotidianas.

TEMPO E CONTEMPORANEIDADE I

As novas tecnologias e linguagens digitais estão transformando gradativamente nossa percepção do tempo/realidade, alterando as codificações tradicionais de memória social a ponto de dilatar o presente através de um mosaico de citações culturais descontextualizadas.
Somos cada vez mais consumidores de imagens e informações transitando em um espaço socialmente vivido fraturado.
Qualquer identidade hoje possível só pode ser experimentada como simulação, pois já não existe algo como uma “consciência histórica” organizando as representações e vivencias do passado.
Nunca fomos tão livres do peso das tradições e costumes...

quinta-feira, 18 de março de 2010

NOTHING

Há horas em que tudo que me importa

É simplesmente poder parar o tempo
E o mundo,
Mergulhar profundamente
Em preguiças e inercias
Desvendando vazios e infâncias
Nas gotas da tarde de outono.
Tais momentos
Não cabem em qualquer pensamento,
Não se perdem em palavras,
Apenas acontecem
Como uma necessidade estranha
De provar o gosto do nada
Estático entre as coisas....







terça-feira, 16 de março de 2010

NOTA SOBE A FILOSOFIA DA LINGUAGEM DE WITTGENSTEIN


O que há de mais fascinante na filosofia de Wittgentein é o fato de subverter radicalmente os princípios da lógica tradicional. Nela, a essência da linguagem, seu significado pragmático e profundo, é expresso na própria gramática, nos fatos contingentes condicionados as regras que perpassam sua aplicação cotidiana e imediata.
Assim, todas as formas possíveis de discurso são niveladas a um antropocentrismo radical que descarta toda “metafísica” ou principio transcendente como fonte de significação do fenômeno lingüístico.
Em outros termos, alem dos usos cotidianos e humanos, demasiadamente humanos, não existe lógica a ser sustentada no exercício e acontecer de nossas codificações elementares e mais sofisticadas de realidade e mundo.

LEMBRANÇAS

Certas lembranças

Duram o tempo
De uma vida.
Outras se quer
Um dia.
Mas ambas se perdem
No correr do presente
Que nos abandona e afaga
No cotidiano dos atos e acontecimentos
Que quase não dizem nada
No profundo superficial
De cotidiano e existência
Que nos prende aos fatos...

domingo, 14 de março de 2010

QUASE IDENTIDADE

A vida a margem do sentido



E do sentimento


Reinventa a peculiaridade


Da existência


Entre o impessoal dos fatos


E o sangrar biográfico.






Sou mero momento


De biografia e biologia


Em acontecer de acasos


Através dos atos e fatos


Que me definem


Entre os outros...



segunda-feira, 8 de março de 2010

SOBRE O DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Diluído seu conteúdo político de origem, o dia internacional da mulher e do feminimo, nesse conturbado inicio de século, perdeu um pouco de sua dimensão contestadora e simbólica mais significativa, associada a emancipação social da mulher concreta e ao questionamento simbólico da tradição partriacal configuradora da cultura ocidental ao longo dos últimos séculos.

Afinal, atualmente, boa parte das celebrações da data, sucumbem a afirmação vazia de estereótipos e clichês sobre a condição feminina.

Apesar disso, o dia 08 DE MARÇO permanece, em parte, no imaginário social, como representação de uma ocasião de reflexão e critica do que próprimente uma celebração hipócrita e convencional.

Em outras palavras, podemos falar de um sutil e silencioso esforço de afirmação da construção de uma cultura que incorpore o feminino como principio estrutural, ao lado do masculino simbólico, igualmente decisivo para uma economia simbólica que afirme a pluralidade e o irracional como realidades fundamentais ao desafio de uma nova imagem de mundo...

domingo, 7 de março de 2010

HIPOTESE DE PESQUISA SOBRE A CONSTRUÇÃO OU IDEALIZAÇÃO DA VERDADE


Palavras e imagens dialogam através da forma que essencialmente é, ao mesmo tempo, signo e símbolo, sinônimo vago de significação e sentido.
Sem isso não existe codificação da realidade através da consciência...



Mas o que exatamente isso significa? ....  A resposta é um modo de codificar o que somos despidos de qualquer ideia ou conceito de Ser... ; descobrir a realidade como um nada que futilmente preenchemos através do pensamento... 




quinta-feira, 4 de março de 2010

ESPECULAÇÃO SOBRE A EXPERIÊNCIA SIMBOLICA


As imagens são o resultado abstrato de um complexo jogo entre os arquétipos e seus reflexos na consciência; é o “tornar-se forma” que personifica toda significação possível, estabelecendo o ideal como real ou principio ativo da consciência.

Distinguir um símbolo entre a pluralidade irracional das imagens possíveis a consciência é o modo como experimentamos o devir da condição humana enquanto exercício simbólico e vivencia daquilo que conhecemos como realidade...

segunda-feira, 1 de março de 2010

END AND LIFE...


PROCURO EM SILENCIO


O MAIS PROFUNDO DO MUNDO


INVENTANDO ACASOS E VAZIOS


PARA DIZER A VIDA


E FUTUROS DE EGO E MAGIA...






TUDO PASSA


NA SUPERFICIAL AVENTURA


DO MEU ROSTO


EM FRANCO MOVIMENTO


DE TEMPO E BUSCAS...






NADA É INFINITO


E PARADOXALMENTE


SUFICIENTE...


A MORTE BRINCA

EM LABIRINTOS E MOMENTOS...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

UM FRAGMENTO DE J LOCKE


"Os homens tomam as palavras como sendo as marcas regulares e constantes de noções aceites, quando na verdade não são mais que sinais voluntários e instáveis das suas próprias idéias. [...] Esse abuso, que leva a confiar cegamente nas palavras, não foi em nenhum lugar tão disseminado, nem ocasionou tantos efeitos maléficos, como entre os homens de letras. A multiplicação e obstinação das disputas que têm devastado o mundo intelectual deve-se tão-só a esse mau uso das palavras. Pois, ainda que em geral se acredite existir grande diversidade de opiniões nos volumes e variedade das controvérsias que agitam o mundo, o máximo que posso constatar é que, ao discutirem entre si, os doutos em contenda nas diferentes facções falam línguas distintas. "

John Locke, in 'Ensaio Sobre o Entendimento Humano'

NOTA SOBRE O CONCEITO DE VERDADE


O modo como diariamente buscamos estabelecer ou representar a realidade fora de nós, definir as condições objetivas do mundo, não é muito claro ou sistemático. Assenta-se costumeiramente sobre inúmeros preconceitos e ilusões quanto “a natureza” das coisas. Poder-se-ia dizer que somos socialmente condicionados a acrítica experiência de dada formatação ou idéia de realidade sem a devida consideração de sua relação com nossas crenças subjetivas e limitações cognitivas.

Em síntese, pode-se dizer que uma determinada sentença não é verdadeira por sua objetividade, por sua correspondência ao real, mas por ser aceitável ou convincente em termos de linguagem.

A verdade, portanto, é uma questão de persuasão e consenso inerente ao intercambio humano e não uma revelação do mundo como objetividade autônoma.

REAL MICRO


Posso vislumbrar

O oculto universo que existe
Em um grão de pólen
A flutuar ao sabor do vento.

Sei que
Quanto menor a realidade
Mais complexa
É sua verdade...

Time and emotions
Peacefully imprisioned
On images to form...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

FALSA NOTA BIOGRÁFICA

Tenho vivido de vazios mais do que de verdades e certezas.
Desencantado e sujo o mundo se apresenta diante de mim em seu profundo silêncio de fatos cotidianos sustentando tudo aquilo que sou no caótico da condição humana...
Aprendi a nada esperar de futuros e a me surpreender com a mera constatação de estar presente em mais um dia seguinte...

LAZER

Afogado em uma tarde de sol

Perco-me nos labirintos de significações
Que falsamente definem a vida.
Toco o acaso e o vazio
Na embriaguez de todas as coisas...

Surpreendo-me livre,
Sem questões ou respostas.
Futuro algum me aguarda
Na próxima esquina...
Apenas assovio
E vivo a vida.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

EVERYBODY LIES: HOUSE'S PHILOSOPHY


Mentiras suavizam as coisas e facilitam a vida... Para a maioria das pessoas é insuportável ser simplesmente si mesmo diante dos outros, assumir publicamente seus limites, erros, imperfeições ou meras opções e vontades mais autenticas...

Mentiras suavizam nosso próprio peso sobre as costas; o quanto por mera covardia suportamos muitas coisas em nome do grande vazio da diaria sobrevivência entre os outros... No fundo, toda vida socialmente compartilhada não passa de um grande teatro...

O DESAFIO DE SER VOCÊ MESMO...


No mundo contemporâneo, onde a atomização dos indivíduos é a mais cara premissa das sociabilidades e invenções de coletividades, os interesses particulares e as paixões mais básicas ocupam o primeiro plano do jogo dos tantos tipos de relacionamentos possíveis entre os seres humanos .

Hoje, como nunca antes, as pessoas são acima de tudo motivadas pelas questões de suas vidas privadas em lugar de abstrações morais ou modelos coletivos de comportamento. Predominam os dilemas e afirmações egoicos sobre o compromisso com o artificalismo das personas e papeis coletivos.

Nada há de errado nisso. Pessoalmente, considero este fenômeno um grande avanço da cultura contemporânea. Só não posso deixar de notar o quanto a maioria das pessoas, cotidianamente, demonstra simplesmente não saber lidar com sua própria individualidade...

NOTA SOBRE O SILENCIO


Segundo nossos dicionários, o silencio é o estado de quem se abstém de falar e a ausência de sons e ruídos. A palavra também é associada a taciturnidade e sossego. Em todos esses casos ela remete a idéia de passividade e inércia. Mas quem já contemplou o silêncio de uma bela paisagem ou a riqueza da tela de um quadro sabe o quanto o silencio é um fenômeno muito mais rico e complexo. Na verdade ele delimita um vasto campo de atividades não verbais, o domínio do imagético e do sensual.
Em poucas palavras, o silencio é essencialmente o modo físico e concreto através do qual experimentamos a realidade sem traduzi-la em linguagem verbal....

ILUSION

A vida

É em grande parte
Sonhada
Nos desejos que inspiram
O mais profundo do pensamento.

Buscamos o tempo todo
Realizar o ideal de nossas vontades,
Enganar a realidade.
Mesmo sabendo
Que nunca teremos
Tudo aquilo que queremos
Em nossas ilusões de felicidade...



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A RISING SUN


Amanhece...



É tudo de novo


Outra vez


Em meu magro e precário viver.


Sigo mudo o enredo da existência


Sem nada esperar


Das horas


Desenhadas adiante


Pelo acaso.






Sei que o sol


Apenas refaz as ilusões de mundo


Em banal novidade...







RICHARD WILLIEN E A TRADUÇÃO OCIDENTAL DO I CHING


Richard Williem, o sinólogo e melhor tradudor para o inglês do I Ching, entendeu o TAO como “sentido” ou “significado”, como o princípio ou premissa de inter-relacionamento de todas as coisas. Trata-se, em termos ocidentais, de uma recusa da dicotomia entre mente e matéria inspirada em Descartes.

O TAO era para ele, assim como para seu amigo C G Jung, um principio acausal que integra o exterior do mundo e o interior da auto consciência individual em uma unidade psicológica que estaria na base de nossa experiência de realidade...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A CIENCIA MEDICA DE HOUSE by andrew holtz


“PERIGO NO MEDICO- É preciso ter nascido para seu medico, caso contrario se perece pelo seu medico.” F. Nietzsche in Humano, Demasiadamente Humano.

CIENCIA MEDICA DE HOUSE by Andrew Holtz, é uma obra impar que apresenta um interessante panorama da prática medica norte americana tomando como inspiração o universo ficcional da premiada serie de Tv exibida pela FOX.
Ao final da leitura o leitor leigo obtém um satisfatório quadro geral sobre alguns aspectos técnicos da série, podendo ponderar sobre suas verdades e exageros e, acima de tudo, refletir sobre o mito do Dr. House e o tipo de racionalidade e individuo que ele representa e personifica no imaginário social.
Se o livro de Holtz nos chama demasiada atenção para a impossibilidade de existencia de um House entre os nossos médicos reais, dado seu irreverente talento para solapar a ética medica das mais imaginativas formas possíveis, por outro lado, é inegável que a personagem personifica algo de essencial a pratica da medicina: a combinação entre conhecimento, intuição, experiência e bom julgamento, que não raramente falta aos nossos médicos reais conformados aos protocolos éticos e convenções do cotidiano hospitalar.
Segundo o autor, House corresponde a chamada doutrina da medicina baseada em evidencias:

“De certo modo, a personalidade do dr. House está bem enquadrada na doutrina da medicina baseada em evidencias. Embora a maior parte das pessoas tenda a confiar nas opiniões de especialistas, ele demonstra pouco respeito pelas figuras de autoridade ou pelos conselhos de especialistas, com base apenas em suas reputações. Ele não escolheria determinado tratamento simplesmente porque algum especialista o considerou a melhor opção para o caso.
É exatamente assim que funciona a medicina baseada em evidencias. A ‘opinião especializada” é considerada a menor forma de evidencia possível; não é desprovida de valor, mas é algo que só deve ser usado quando não houver outros dados disponíveis. Afinal de contas, a opinião dos especialistas pode não ser mais do que a soma do que um único medico lembra de sua experiência clinica, que esta sujeita aos caprichos da memória e aos naturais vieses humanos.”

( Andrew Holtz. A ciência medica de House: A verdade por trás dos diagnósticos da série de TV. Tradução de Adriuana Rieche. RJ: Editora Best Seller, 10° ed. , p. 161-162. )


NIETZSCHE E O SEGREDO DO ESCRITOR



Um bom escritor deve transgredir a linguagem com sua caligrafia a ponto de transformá-la em metáfora do indizível e ilegível cotidiano vivido que transcende o mero cotidiano e socialmente estabelecido.
Um bom escritor nos oferece uma chave para o desconhecido...
Segundo o aforismo 183 de Nietzsche em Humano, Demasiadamente Humano:

“ A CHAVE. O pensamento isolado ao qual um homem notável atribui um grande valor, para riso e zombaria dos insignificantes, é para ele uma chave de tesouros ocultos; para aqueles , nada mais que uma peça de ferro-velho.” .

EXISTENCIA E ONTOLOGIA

A existência é uma esfinge que nos desafia a responder enigmas e escapar a labirintos que só existem como partes estranhas de nós mesmos...

Somos nossas próprias questões e os vazios que nos motivam como vontade e desejo em uma busca inútil do próprio rosto. Por isso acontecemos em círculos...


DIA PERDIDO


Um dia de azul aço
Cobre todas as coisas,
Cai sobre os olhos
E as almas
Que habitam cada individuo.
Hoje não haverá destinos
Ou rotinas.
Apenas o tempo
Preso ao corpo
E o silêncio do mundo
Até o derradeiro instante
Do riso noturno
Escrito em sonho...

A INDIVIDUALIDADE COMO SEGREDO

A essência da individualidade é a afirmação da singularidade, o que é o mesmo que dizer que ela é definida pela capacidade de cada um para interagir com os outros de modo contraposto apesar da intermediação de um referencial simbólico compartilhado. Desta forma, se a auto-consciência é um fenômeno ambíguo condicionado a mentalidade coletiva, o mesmo não se pode dizer com relação ao sentimento irracional de propósito ou meta particular que define a experiência de uma dada biografia vivida. Refiro-me aquele conjunto de fantasias pessoais que aproximam o esforço de perpetuação e construção de uma existência singular da construção de uma obra artística cujo conteúdo e significado não somos capazes de compartilhar com os outros, mesmo quando lhe comunicamos.

Tornar-se um individuo é adquirir-se como “um segredo” ou meta-significado, como um complexo processo irracional e ontológico que escapa a qualquer expressão lingüística.

É justamente como indivíduos que somos capazes de transcender a natureza através de uma consciência diferenciada.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

SEA...

O mar de agora

Não guarda os mesmos encantos
Que o mar antigo,
Já não nos conduz
Ao desconhecido.
Mas ainda é em essência
Infinita imensidão
A desafiar a humana finitude.

O mar
Ainda impõe fantasmalidades
E fantasias
Embalando pensamentos
De aventura e solidão
No gritar de algum
Mundano desafio.

The sea is the life
And time...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

NOTA SOBRE O PARADOXO DA INDIVIDUALIDADE HUMANA

É na medida em que nos fazemos cada vez mais conscientes de nós mesmos que inventamos e reinventamos o mundo, nosso sentimento próprio de singularidade, que nos permite compartilhar subjetivamente o existir humano.

Nos individualizamos através dos outros em paradoxo esforço de íntimo acontecer...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

DESAFIO

A existência segue no vazio de rotinas, enquanto administro o tempo que passa refazendo a mim mesmo nos atos de dia a dia. Sei que brinco constantemente com o acaso, tentando me tornar futuro no superficial dos mais íntimos fatos.

O que sei é que talvez passe a vida inteira tentando inutilmente escrever dentro do tempo um especial momento de ser entre as coisas...



sábado, 6 de fevereiro de 2010

NOWHERE MAN FOREVER...?


A VIDA ACONTECE


LÁ FORA E NESTE MOMENTO,

INDEPENDENTE DO QUE FAÇO

E PENSO

AQUI DENTRO...



NÃO EXISTO PARA O MUNDO

E ELE POUCO SIGNIFICA

PARA MIM.



A ÚNICA REALIDADE

QUE CONHEÇO

E RECONHEÇO

É A DO MEU PRÓPRIO EU...

I'M NOWHERE MAN...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

CANT’T BUY ME LOVE by JONATHAN GOULD III


Em CANT’T BUY ME LOVE, Jonathan Gould identifica algumas particularidades importantes que contribuíram para tornar os Beatles a mais emblemática e impactante banda de rock de todos os tempos.
Segundo o autor, por exemplo, os Beatles foram os primeiros artistas não americanos com exposição na mídia de massa a conquistar a condição de SUPERSTAR em caráter mundial. Ao mesmo tempo, eles também negavam todos os estereótipos do que significava ser inglês em 1964, ou seja, após o desmonte do Império Colonial Britânico.
Em suas palavras,

“... ao afirmar sua origem na cidade portuária de Liverpool, no Lancashire, cuja população poliglota de minorias étnicas e religiosas faziam dela a cidade menos homogeneamente “inglesa” da Inglaterra. Os Beatles personificavam uma versão iconoclasta de sua identidade nacional que se provou tão atrativa para as juventudes norte-americana, européia, australiana e de partes da Ásia quanto os fãs britânicos.”
( Jonathan Gould. Cant’t Buy Me Love: OS Beatles, A Grã Bretanha e os Estados Unidos./ Tradução Candoba. SP: Larouse, 2009, p. 18)

Também sua identidade enquanto banda de rock os distinguia dos seus pares, pois:

“Os Beatles eram uma visão de auto-suficiência, independência e ambição compartilhada que proporcionou a musica popular o arquétipo de “banda de rock”, um modelo de organização musical que viria a perdurar nas décadas seguintes.”
(Idem)

Em essência a ascensão dos Beatles foi, entre outras coisas, um sintoma de profundas mudanças nas relações anglo-americanas ocorridas após a Segunda Grande Guerra, quando a Inglaterra, a maior nação imperialista do séc.XIX, cedeu lugar no cenário mundial aos USA, a maior nação internacionalista do séc.XX. Fato político que determinou profundamente a evolução ( ou revolução) cultural da segunda metade do século XX.

PERSONA


Parte de mim é triste

Por não reconhecer
Diante do espelho
O rosto que me sustenta
Entre os outros.
Pois sabe que,
Ao mesmo tempo,
Ele me apaga de mim mesmo
No silencio da aparência,
Obscurecendo a abstrata face
Que me torna humana ilusão
No acontecer do tempo...



OPUS



Enterro futuros
Nas almas das coisas
Através dos atos
Que me definem
Provisoriamente
Como migalha
De sangue e carne...


Meu destino, entretanto,
Pouco me importa....

Aceito no mesclar dos dias

O novíssimo acontecer de mim mesmo,
O efêmero e agora da vida,
Como principio único da existência.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

MORTE AO VIVO ( THE LIVING END) BY STANLEYN ELKIM


Originalmente publicado em 1979 MORTE AO VIVO ( THE LIVING END) by Stanleyn Elkim, permanece sendo uma perola única da ficção contemporânea norte americana. Arrisco-me a defini-la como uma espécie de comedia teológica, gênero que deveria ser mais explorado, onde os valores morais e crenças de inspiração judaico cristã, inspiradas pelo maniqueísmo entre o bem e o mal são relativizadas em uma metafísica comedia de costumes...

Ellerbee, a personagem central da narrativa, é o correto e digno dono de uma loja de bebidas que acaba assassinado durante um assalto. Em sua vida alem tumulo ele se confronta com o caprichoso e megalomaniaco deus do antigo testamento, que não exita em lhe mandar para o inferno simplesmente porque costumava abrir seu comercio aos domingos.

Com um humor corrosivo Elkim cria um cenário e uma leitura insólita e absurda da vida após a morte revelando o lado sombrio do criador e da eternidade; lado tão sombrio que dispensa a existência de um opositor personificador do principio do mal.

A narrativa termina com um surpreendente juízo final, aqui entendido como a ressureição dos mortos e o golpe final de deus diante de uma perplexa e mal resolvida “sagrada família”.

Trata-se, definitivamente, de uma experiência única mergulhar nas paginas desta deliciosa paródia da “Divina Comedia”....

BLACK TIME


Agora a pouco



O tempo


Passou por mim


Sonhando...


Passou triste


E pensativo,


Sem ilusões de eternidades.


Sei que buscava em silencio


O mais intenso


Dos futuros possíveis,


As mais profundas horas


De um amanhã desnudo


E ininteligível que jamais viverei...

sábado, 30 de janeiro de 2010

FRAGMENTOS SOBRE O SABER CIENTIFICO


A ciência é a duvida transformada em método.

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A construção do saber cientifico pressupõe acima de tudo criatividade.

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Toda ciência é uma eterna luta contra a verdade das ilusões cotidianas.

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Pensar é criar e recriar constantemente o mundo e a realidade como uma codificação racional e lógica.

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As ciências desafiam verdades e absolutismos culturais na medida em que existe como radical expressão da liberdade.

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Onde a fé impera, a ciência esta morta.

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Existe um profundo abismo entre o entendimento e a compreensão.

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A ciência é uma opus coletiva na qual a individuação é fundamental.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

FRAGMENTOS SOBRE A IDEIA DE VERDADE


Deve-se acreditar em tudo aquilo que se faz, partindo da premissa DE QUE NADA É VERDADEIRO.
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As auguras humanas nada significam frente à complexidade do universo. Quanto mais o conhecemos pela ciência mais nos damos conta da insignificância da condição humana e suas pretensas realidades.
Afinal, o universo é mais interessante do que qualquer idéia ou concepção de deus. Principalmente quando concebido imagem e semelhança do homem...
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Toda certeza é volúvel na mesma intensidade em que é sedutora...
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As melhores perguntas são aquelas cujas respostas são provisórias ou insatisfatórias, nos conduzindo a especulação e ao erro.
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A curiosidade vale mais do que qualquer crença...
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Deixar de acreditar em qualquer coisa, desconstruir uma verdade, é a mais autentica experiência do verdadeiro.
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A verdade é como o vento...

NOTA PARA UMA FILOSOFIA DA MULTIDÃO E DO NADA SOCIAL


Mergulho no ativo anonimato do caos das ruas, observando pessoas e colhendo cotidianos cacos de atos e conversas, ecos de estranhos no fluxo da multidão. Constato, assim, os lugares comuns do inventário dos indivíduos, na mesma medida em que percebo a insignificância de toda vida que porcamente povoa o mundo, da inutilidade e artificialismos das fragilidades da existência, que nutrem nossas personas. 

A maior parte do tempo vivido não faz a menor diferença em nossa biografia, se quer alcança o acontecer como "agora" em potência.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A VIDA E O NADA

A vida humana



É como um retalho de tempo


Abandonado ao acaso


No caos do mundo,


Um insignificante acontecimento


Que lentamente se desfaz


Em seu próprio vazio...






Minha humanidade


É viver de minhas sobras


Cultivando o nada


Que semeia em toda palavra


O saudável veneno do silêncio...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

REAL LOVE



Procuro inutilmente



Adivinhar a intimidade


Daquela MOÇA


Que decora em perfume e forma


O passeio público,


Que rouba,


Por um segundo,


Meu pensamento mais que profundo...






Sei que no fundo


Ela diz outro rosto.


Alguém que não conheci,


Não conheço


E jamais conhecerei.


Mas, entretanto,


Povoará meus sonhos


Até o último dia


De minhas ilusões


De existência e vida...

My live is a Woman...