segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

O DESAFIO DA FILOSOFIA


Sabemos desde Foucault que a contingência e a singularidade da nossa época define nossas sensibilidades, aquilo que nos é possível pensar e fazer. Nietzsche, antes dele, definiu sua filosofia como uma filosofia futura contra a singularidade de seu próprio tempo. Talvez está seja a condição de toda filosofia ainda possível: a recusa dos limites contra os quais o pensamento se defronta em todo contexto social vigente. Pensar o impensável, o improvável, reinventar a nós mesmos, é o que sempre se coloca novamente no horizonte daquele que se dedica ao desafio de pensar, de contemplar a esfinge  do tempo de agora e seus enigmas.

Uma vertigem sempre nos esclarece a filosofia, não como uma disciplina acadêmica, como um saber canônico, mas como uma experiência de linguagem, um confronto com a impessoalidade, com o amorfo de nossa condição humana. Ela mesma uma construção provisória, um artifício para o entendimento. 

É preciso uma boa dose de ceticismo para levar as últimas consequências a experiência filosófica contra a própria tradição filosófica, contra nossas certezas e premissas. O que nos move é a questão básica sobre o que o pensamento é capaz de criar , o quanto ele nos permite escapar do mais corriqueiro e naturalizado senso comum.

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